O ministro das Finanças alemão defendeu nesta terça-feira que a Grécia não precisa atualmente de um perdão da dívida, porque beneficia de empréstimos europeus sem juros até 2020. Falando aos jornalistas após uma reunião de dois dias dos ministros das finanças europeus, em Bruxelas, Wolfgang Schaeuble sustentou que não haverá pressão sobre as finanças públicas gregas por mais cinco anos, graças aos empréstimos europeus de ajuda sem juros até 2020.

Schaeuble disse que a situação para os credores europeus da Grécia não mudou desde última reunião, em dezembro, mesmo após a vitória do Syriza nas eleições do passado domingo. “A Grécia alcançou resultados mais rapidamente na redução do défice, no crescimento económico e na obtenção de um excedente primário do que se supunha quando o programa foi elaborado”, disse Schaeuble, para quem “a questão do perdão da dívida não se coloca”.

De acordo com a Bloomberg, o novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, líder do Syriza, prometeu que tentaria reduzir o valor da dívida do seu país, apesar das objeções do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.

Entretanto, Steffen Seibert, principal porta-voz da chanceler Angela Merkel, disse na segunda-feira em Berlim que a Grécia deve respeitar os compromissos previamente negociados. Por seu lado, o ministro Wolfgang Schaeuble sugeriu que um acordo estabelecido em de novembro de 2012 pelos ministros das Finanças da Zona Euro que previa novas medidas em benefício da Grécia pode não se aplicar ao presente, dado que este país está a baixar a sua dívida mais rapidamente do que o previsto pelo FMI há dois anos, não necessitando de um alívio adicional.

“O programa está a ir bem e, no que respeita à Grécia, está no caminho certo”, afirmou o governante alemão, referindo-se à política orçamental grega, a propósito da qual salientou, contudo, que faltam “medidas de uma reforma estrutural”. O novo governo grego tem de decidir se é necessária ajuda de financiamento adicional, lembrou.

Quanto ao futuro da Grécia, o ministro alemão sublinhou: isso “é com aqueles que ganharam as eleições livres e democráticas e agora carregam a responsabilidade de uma situação que não é fácil”. A este respeito, Schaeuble admitiu estar “relaxado”, por “o perigo de contágio na Zona Euro” ser baixo.