Numa altura em que vários responsáveis europeus se deslocam à Grécia para iniciar conversas com o novo governo grego, os socialistas pedem à Europa calma e confiança. Ou, nas palavras do secretário-nacional do partido João Galamba, um “desanuviamento do ambiente político”.

O governo grego está há três dias a aplicar medidas de reversão da austeridade e por cá, os socialistas portugueses “saúdam” a eleição do governo de Alexis Tsipras e pedem à Europa “um clima de confiança” para que seja possível negociar com os gregos, pode ler-se no comunicado aprovado por unanimidade da comissão política. No que à Grécia diz respeito, o comunicado do partido diz ainda que “as decisões que, com espírito de negociação e num ambiente de compromisso, a Europa venha a encontrar para começar a resolver a gravíssima situação da Grécia são de especial interesse para Portugal – não apenas enquanto país onde as políticas de austeridade degradaram a capacidade de resposta do Estado social (…), mas também enquanto membro pleno da União Europeia, do euro e do projeto europeu, cujas políticas europeias dos últimos anos não têm sabido defender”.

Além disso, disse João Galamba, na sequência da visita do presidente do parlamento europeu, Martin Schulz, espera um “desanuviamento do ambiente político”. Já em relação à derrota do Pasok, o partido socialista grego, João Galamba voltou a frisar que “ao aliar-se à direita e a praticar a política de direita, teve os resultados que teve”.

A comissão política do PS reuniu esta quinta-feira pela primeira vez e os socialistas preferiram falar sobretudo de temas europeus, com a situação da Grécia à cabeça.

Além da situação da Grécia, o texto aprovado fala ainda da flexibilidade das regras europeias, de acordo com a leitura que os socialistas fazem da interpretação da Comissão Europeia e ainda do plano do Banco Central Europeu.

No final da reunião, João Galamba recusou que o PS esteja com falta de força na ação política: “Vamos continuar a nossa ação política. É o que temos feito até aqui. Daqui até às eleições há vários momentos e continuaremos a trabalhar neles como temos feito”.

Na reunião dos socialistas, houve ainda outro tema que foi lançado: a eurodeputada Ana Gomes lançou o nome de Maria de Belém como possível candidata a Presidente da República, caso António Guterres não avance.

Nas questões internas, os socialistas aprovaram ainda a realização de eleições primárias para a escolha de deputados, mas em casos pontuais e o lançamento do gabinete de estudos.