O presidente do Governo espanhol respondeu este sábado às críticas dos dirigentes do Podemos às políticas do executivo, afirmando que “são uns tristes que andam por aí a dizer o quão mal as coisas vão em Espanha”.

Mariano Rajoy (Partido Popular) falava em Barcelona, sensivelmente à mesma hora em que decorria uma manifestação do Podemos chamada “Marcha da Mudança” que reuniu cerca de 100 mil pessoas no centro de Madrid.

O chefe do executivo defendeu a gestão económica que teve de fazer nos piores anos da crise, aludiu aos “bons resultados” das suas políticas, por oposição à “Espanha negra” de que falam os dirigentes do Podemos. “Não aceito essa Espanha negra que alguns querem pintar. Graças a isso pensam que vão substituir quem está a governar, os que tiveram de enfrentar a crise mais dura das últimas décadas. Não o vão conseguir”, salientou Mariano Rajoy.

O chefe do Governo não designou especificamente o Podemos, nem o seu secretário-geral, Pablo Iglesias, mas foi duro no ataque “a uns tristes que andam por aí a dizer como as coisas vão mal”.

Rajoy contrapôs que se sente orgulhoso daquilo que a Espanha tem feito nos últimos tempos, referindo-se ao crescimento económico (constante nos últimos trimestres) e à criação de emprego (435 mil empregos em 2014). De acordo com os últimos dados disponíveis, o PIB espanhol cresceu 1,4% em 2014 (o primeiro crescimento económico desde há seis anos). Por outro lado, há sete anos que a economia espanhola não criava emprego. Por isso mesmo, defendeu os valores da “unidade”, dos “princípios constitucionais” e da “moderação”, frente a um “radicalismo que, disse, “parece estar na moda em Espanha”.

“Mas será por pouco tempo”, realçou Rajoy, que – apesar de esta ser a primeira visita a Barcelona desde que o presidente regional, Artur Mas, anunciou eleições antecipadas – centrou mais o seu discurso nos progressos económicos do que na via nacionalista catalã defendida por Mas.

Ainda assim, sobre Artur Mas, Rajoy disse simplesmente que nas eleições antecipadas (que segundo Mas visam em última análise a separação da Catalunha do resto do Espanha) o presidente da Generalitat (governo autonómico catalão) apenas está preocupado consigo.

Para Rajoy, “não se justifica” a antecipação das eleições nem na Catalunha nem na Andaluzia (neste caso por Susana Diaz, do PSOE andaluz, socialistas).

Artur Mas antecipou as eleições no âmbito de um acordo partidário com vista a prosseguir o caminho da independência da Catalunha, enquanto Susana Diaz afirma que a coligação que mantém com a Izquierda Unida (comunistas) não lhe permite governar. Os analistas políticos consideram que Susana Diaz adiantou as eleições para obter uma vitória que lhe permita disputar a liderança nacional do PSOE a Pedro Sánchez.

Este ano a Espanha terá, sucessivamente, eleições municipais, autonómicas e gerais.