O ministro das Finanças francês recebeu o seu homólogo grego e afirmou no fim do encontro que Paris “está mais do que preparada para apoiar a Grécia”. E foi mais longe, assumindo que os esforços gregos para renegociar a dívida são “legítimos” e que é fundamental um “novo contrato entre a Grécia e os seus parceiros”. Assim, ao recusar o cancelamento da dívida mas apoiando o reescalonamento da mesma, foi ao encontro das pretensões de Yanis Varoufakis, ministro das Finanças grego que iniciou em Paris o périplo em busca de apoios europeus para a concretização do programa político do primeiro-ministro Alexis Tsipras.

França estaria disponível para fazer certas concessões à dívida grega para ajudar o novo Governo a relançar a economia do país, tinha já dito o ministro das Finanças francês. A entrevista televisiva foi divulgada antes de Michel Sapin se reunir com o homólogo grego, Yanis Varoufakis, em Paris. A ideia é “negociar, adiar ou aliviar” mas nunca “cancelar” o pagamento da dívida, disse.

De acordo com a agência Bloomberg, o ministro deixou a garantia de que o Governo francês está disposto a discutir o assunto com os gregos no sentido de aliviar o fardo financeiro. As hipóteses podem passar, por exemplo, por uma extensão das maturidades, mas nunca por um perdão da dívida. “Não basta dizerem para cancelarmos e nós cancelamos, isso não. Podemos discutir, podemos adiar, podemos aliviar. Cancelar é que não”, disse Sapin ao Canal Plus, acrescentando que a exposição total do Governo francês à dívida grega está avaliada em 42 mil milhões de euros.

“O Governo grego diz que ‘precisa de um bocado de ar para respirar’, e eu consigo compreender isso”, adiantou Sapin referindo-se à declaração feita ontem pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, onde suavizava o discurso grego afirmando a intenção de “respeitar as obrigações” com o BCE e o FMI, ao mesmo tempo que pedia “tempo” para o novo Governo se sincronizar. “É legítimo para eles dizer que precisam de discutir como poderão reduzir o peso da sua dívida”, continuou Sapin.

A aparente abertura de França a uma parte das aspirações gregas surge no mesmo dia em que o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, se reúne com o homólogo francês para sondar o socialista sobre estas matérias. A ida de Varoufakis a Paris, aliás antecipada já que estava inicialmente marcada para segunda-feira, o que foi interpretado pela imprensa francesa como uma necessidade maior dos gregos de ouvir mensagens mais favoráveis ao seu programa anti-austeridade.

Não é por acaso que as primeiras paragens escolhidas por Varoufakis, e também por Alexis Tsipras, que, paralelamente, inicia esta semana uma ronda de conversações europeias, foram Paris e Roma – dois importantes governos socialistas na Europa. E ainda neste domingo o ministro anunciou que irá também a Berlim antes de regressar a Atenas, de modo a completar o périplo europeu.