O presidente do parlamento europeu, Martin Schulz, declarou que a Espanha ou qualquer outro país europeu não podem ser comparados com a Grécia, numa entrevista que concedeu ao jornal espanhol La Razón. Schulz disse ainda que “é perfeitamente compreensível que os partidos populistas em toda a Europa tentem aproveitar-se ao máximo do êxito do Syriza”, mas a realidade é que “a Espanha ou qualquer país europeu não pode ser comparado com a Grécia”.

Na entrevista publicada domingo pelo jornal espanhol, Schulz referiu também a possibilidade da vitória do Syriza na Grécia favorecer partidos como o Podemos, em Espanha. Indicou ainda que “cada país é diferente” e que a economia espanhola está a mostrar sinais de crescimento e as suas finanças estão “sob controlo”.

“Não há troika na Espanha”, afirmou, apesar de reconhecer também os problemas sociais que ainda acontecem nas classes baixa e média, citando o desemprego, que continua “inaceitavelmente alto” e os “desalojamentos forçados”, sem uma política de habitação adequada, além dos casos de corrupção.

Sobre a Grécia, afirma que, depois da visita que realizou na quinta-feira a Atenas, tem razões para ser “moderadamente otimista” porque, apesar da situação difícil, acredita que “há espaço para um compromisso”.

Qualificou de “aberta, franca e respeitosa” a reunião que manteve com o novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, com quem esteve de acordo sobre as principais preocupações: as reformas estruturais, como a luta contra a evasão fiscal e a fraude. “A minha impressão foi que Tsipras está de acordo com o fato de ser chefe de Governo, com a responsabilidade de todo o país, é outra coisa do que ser líder de um partido da oposição. Só um compromisso permitirá alcançar resultados”, disse ainda.

“Era melhor parar com os ataques contra Merkel”

Numa outra entrevista, desta vez ao alemão Die Welt, Schulz direcionou o seu discurso para a retórica anti-alemã do novo Governo grego, confessando que pediu mesmo a Tsipras, durante o encontro da semana passada, que parasse de apontar o dedo à chanceler Angela Merkel. “Recomendei-lhe insistentemente que se desarme no plano verbal. Isso não lhe traz nada”, disse.

“Seria avisado Tsipras parar com os ataques contra Angela Merkel”, acrescentou, frisando que vai ser o Governo alemão, entre outros, que vai acabar por ajudar a Grécia.

Após as eleições gregas de domingo, vencidas pelo Syriza de Tsipras, a Alemanha reiterou esperar que Atenas cumpra os compromissos em matéria de reformas económicas e fiscais e, numa entrevista divulgada no sábado, Merkel, cujo governo é o maior credor da Grécia na União Europeia (UE), afastou a possibilidade de um novo perdão de dívida.

Martin Schulz, que foi o primeiro responsável europeu recebido pelo novo primeiro-ministro grego, disse ainda que os alemães não são o único povo que vê com ceticismo os atuais desenvolvimentos na Grécia e que toda a UE se questiona. “Criticar os alemães pode agradar a alguns, mas é de vistas curtas e não leva a nenhum avanço”, disse.