A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está a trabalhar com várias associações da distribuição, indústria, turismo ou recicladores, para a realização de campanhas de sensibilização sobre a taxa dos sacos de plástico e as alternativas existentes. “Estamos a trabalhar com associações representantes dos supermercados, da distribuição, da indústria, dos recicladores, restauração e turismo, com vista a fazermos parcerias que permitam [preparar] campanhas institucionais”, disse nesta quinta-feira o presidente da APA à agência Lusa.

Existem também ações sobre o mesmo tema “com mais de 1.500 escolas com cerca de 120 organizações de ambiente e com cerca de 150 equipamentos de educação escolar e de educação ambiental pelo país”, realçou Nuno Lacasta. O presidente da APA falava a propósito da entrada em vigor, no domingo, da contribuição de oito cêntimos, mais dois de IVA, totalizando 10 cêntimos, sobre os sacos de plástico “leves”, distribuídos principalmente nos hiper e supermercados, uma medida integrada na reforma da Fiscalidade Verde.

A Fiscalidade Verde vai permitir obter “um total de 167 milhões de euros, 40 milhões de euros são estimados no âmbito desta medida dos sacos de plástico, e são para reduzir o IRS das famílias, mas também para o fundo de conservação da natureza e para apoiar a mobilidade elétrica”, explicou o responsável. O montante destinado à conservação da natureza e ao apoio da mobilidade elétrica é de 17 milhões de euros.

A Quercus alertou para a necessidade de se realizarem campanhas de esclarecimento sobre as razões que levam à aplicação da taxa sobre os sacos de plástico “leves”. Além das ações preparadas pela APA, Nuno Lacasta referiu também que “as diferentes empresas, no âmbito da sua estratégias comercial, vão fazendo campanhas de sensibilização e de alerta para os diferentes materiais já disponíveis” para substituir os sacos de plástico.

No entanto, o presidente da Agência defende que os portugueses “já deram mostras que vão assumindo a consciência da responsabilidade pela preservação dos recursos” e exemplificou com o aumento das taxas de reciclagem registado nos últimos anos, a adaptação à obrigatoriedade do uso de cinto de segurança. O objetivo da medida é reduzir “de uma forma muito pronunciada” a utilização de sacos de plástico “leves”, atualmente estimada em mais de 450 por habitante, por ano, para 50 este ano e para 35 em 2016, avançou.

Questionado sobre a dificuldade em “recolocar no circuito comercial” ‘stocks’ de sacos de plástico “leves”, Nuno Lacasta disse que, além do um período de 45 dias (de 01 de janeiro a 15 de fevereiro) para adaptação e “a possibilidade de fazer um pagamento mais tarde da contribuição para intermediários que tivessem comprado estes sacos”, existem outras alternativas como “a utilização desses sacos internamente na empresa e a doação para instituições de beneficiência”.

Na Europa, são colocados no mercado cerca de 100 milhões de sacos plásticos por ano, e Portugal é um dos países europeus onde são mais utilizados estes sacos de plástico “leves”, segundo dados da APA. A utilização média de cada saco plástico é de somente 25 minutos, mas, após a deterioração, os seus bocados podem permanecer no Ambiente até 300 anos.