O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, disse este domingo, na sequência dos atentados na Dinamarca, que a Europa não pode “ceder ao medo”, sublinhando não ter “nenhuns indícios” que atentados semelhantes possam acontecer em Portugal.

“Nós sabemos que os dinamarqueses pensam, e corretamente, que não podem ceder ao medo. Isto é uma luta que continua, nós não podemos ceder ao medo. Temos que tomar as precauções, evidentemente. Não podemos ter quaisquer jactâncias. Precisamos do apoio de todos os povos que prezam a liberdade, incluindo, naturalmente, os países muçulmanos que condenam isto tipo de violência injustificada”, declarou Rui Machete.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros (MENE) português falava em Roma, à margem do consistório no qual o papa Francisco nomeou cardeal o patriarca de Lisboa, Manuel Clemente.

Rui Machete referiu que Portugal já exprimiu a sua solidariedade ao povo dinamarquês: “É efetivamente um atentado terrorista que lamentamos e condenamos veementemente. Falei com o MNE dinamarquês, apresentando as nossas condolências e exprimindo a nossa solidariedade”.

Questionado sobre o alastramento de atentados perpetrados por fundamentalistas islâmicos a países europeus, Machete disse que Portugal não tem “nenhuns indícios” de que possa ser alvo de um atentado semelhante.

“Evidentemente não há uma garantia absoluta que isso não aconteça, temos que ser prudentes e vigilantes”, declarou.

A polícia dinamarquesa anunciou hoje ter abatido o alegado autor dos dois atentados que fizeram dois mortos e cinco feridos, no sábado, em Copenhaga.

O primeiro tiroteio ocorreu durante a tarde de sábado num centro cultural em que se realizava um debate sobre a liberdade de expressão, com o artista sueco Lars Vilks, que vive há anos sob proteção policial devido às ameaças de grupos islâmicos depois de desenhar Maomé como um cão.

Uma pessoa de 55 anos morreu e três agentes ficaram feridos neste atentado, apesar de as autoridades não terem podido confirmar se Vilks era o alvo.

Já na noite de domingo, deu-se novo tiroteio junto à sinagoga de Copenhaga e morreu um jovem judeu que fazia guarda ao edifício, ficando ainda feridos dois polícias.

Na sequência do ataque próximo da sinagoga, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelou aos judeus europeus a mudarem-se para Israel.

“De novo um judeu europeu foi morto por ser judeu e este tipo de atentados deve ocorrer novamente”, advertiu o primeiro-ministro israelita, indicando que o seu país está preparado para “acolher uma imigração em massa proveniente da Europa”.

Questionado hoje, em Roma, sobre as declarações do chefe do Governo israelita, Rui Machete disse que essa é uma questão que não se coloca em Portugal.

“Isso é um problema interno de Israel sobre o qual não me pronuncio. No que diz respeito aos judeus portugueses, eles são bem-vindos em Portugal, são cidadãos portugueses como quaisquer outros. É o que posso dizer”, afirmou.