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Enquanto “salvava o mundo da catástrofe [económica]”,  Dominique Strauss-Kahn (DSK), então um ocupado diretor do FMI, participou em algumas orgias. “Foram só 12”, admitiu em tribunal, num processo em que está a ser acusado de proxenetismo. E o francês até ajudou na matemática para suavizar a coisa: “São quatro por ano ao longo de três anos.”

E há, realmente, quem considere apropriado o “só 12”. É o caso de Katherine Frank, autora de “Plays Well in Groups: A Journey Through the World of Group Sex”, um livro para adeptos de orgias, conta o Telegraph. “Há muitos e grandes grupos de sexo organizado, festas e conferências que acontecem por todo o mundo. Se é isso que as pessoas gostam, então podem facilmente encontrar qualquer coisa que se adeque ao gosto delas todos os fins de semana”, revela.

Strauss-Kahn, que era tido como um respeitável candidato presidencial, é a prova dessa geopolítica sexual, pois frequentou festas do tipo em Paris, Bruxelas e Washington. “A acusação dá a impressão de uma atividade desenfreada”, defendeu-se o ex-diretor do FMI em tribunal, que descreveu as festas como “sessões recreativas numa vida agitada”. DSK enfrenta agora, em Lille, um julgamento que pode culminar com uma sentença até dez anos de prisão, a que se pode juntar uma multa de 1,5 milhões de euros.

A prostituição não é uma atividade ilícita em França, mas proxenetismo e contratação de prostitutas já o é, vinca a New Yorker. Essa é, aliás, a acusação que enfrenta DSK: instigar ou organizar a contratação de mulheres para sexo. O francês rejeita as acusações. A revista norte-americana revela ainda que dois homens admitiram que levaram mulheres da Bélgica, onde um deles geria um bordel, para Nova Iorque. O dono do espaço era Dominique Alderweireld, que é outro dos acusados neste julgamento, tal como um advogado, um polícia, um empresário, entre outros. Todos negam que estariam a gerir uma rede de prostituição.

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As orgias estão na moda?

Mas, afinal, são ou não são populares as festas swing? “Eu oiço falar em festas como estas a toda a hora, acontecem há séculos”, disse ao Telegraph Emma Sayle, fundadora da Killing Kittens, que organiza 14 festas sexuais por mês por todo o mundo. Quanto à tal performance de DSK — quatro festas temáticas por ano –, Sayle admite que essa é a “média” dos 50 mil membros da sua empresa, embora alguns frequentem uma por semana.

“Homens ricos e poderosos foram sempre hedonistas e narcisistas, adoram a emoção, e os seus egos são demasiado grandes para se satisfazerem com as suas mulheres. Eles precisam daquela coisa extra. São demasiado velhos e feios para virem às nossas festas, por isso têm amigos que organizam as suas próprias festas e levam prostitutas de alta qualidade, algumas extremamente bonitas”, explicou Sayle, traçando um perfil do “cliente” e explicando a eventual razão das festas privadas.

Chris Reynolds Gordon, gerente da Heaven SX, que é tida como a elite das festas de sexo organizadas no Reino Unido, é outro entendido na matéria. “As nossas festas têm lugar em belas mansões, só queremos pessoas bonitas na casa dos 20 e 30, embora tenhamos igualmente algumas pessoas muito atraentes na casa dos 40”, admitiu ao Telegraph. E continuou: “Temos todo o tipo de convidados — advogados, atores, contabilistas, modelos e enfermeiras. É, definitivamente, algo que está cada vez mais na moda fazer. Aplicações como o Tinder estão a permitir às pessoas que se envolvam e tornaram-nas menos inibidas e mais interessantes em empurrar e explorar os limites, embora num ambiente seguro.”

Segundo Emma Sayle, que organiza festas em que a tortura e temas de cabaret se misturam, revela que o preço para entrada de uma mulher solteira neste tipo de festa ronda os 68 euros. Quando é um casal o preço do bilhete dispara para 540 euros. Em vez de uma viagem romântica a dois para Londres, Budapeste ou Roma, porque não uma viagem ao mundo da partilha de conhecimento, entre outras coisas? Talvez seja isso que tem em mente quem participa, quem sabe inspirado pelas “Cinquenta Sobras de Grey”…

E há regras? Há sim senhor, pelo menos na Killing Kittens. Só as mulheres podem dar o primeiro passo, e até para isso há regras. O objetivo é que ninguém se sinta coagido. Sayle, que até estudou com Kate Middleton na escola privada Downe House, admite que “há muitas prostitutas” quando as festas permitem uma grande diferença de idades. “Há sempre mulheres que são atraídas pelo poder e estilo de vida.”