Ópera

Macbeth acorda o perigoso dentro de nós

443

Uma relação erótica, violenta e cruel, vai estar em cena no Teatro de São Carlos. O Observador conversou com os dois principais protagonistas.

Macbeth e Lady Macbeth. Àngel Òdena e Elisabete Matos. As duas personagens e os dois protagonistas da ópera Macbeth, de Giuseppe Verdi, que vai subir ao palco do teatro São Carlos, em Lisboa, a partir de sábado e até ao dia 1 de março, para uma série de cinco espetáculos já esgotados. Uma relação erótica, violenta e cruel, que explora o “perigoso” dentro de cada um de nós. O Observador conversou com os dois protagonistas.

Tanto Àngel como Elisabete já interpretaram, pelo menos uma vez, estas personagens. Ambos vão voltar a um sítio familiar. “Vocalmente, sempre que interpretamos mais do que uma vez a mesma personagem, damos mais um passo em frente, procuramos mais um detalhe”, diz Àngel, ao Observador.

Mas mais do que uma revisitação de um corpo, de uma linguagem, é voltar penetrar num estado de espírito espírito. “O nosso espírito é novo, o nosso momento é novo, todos os dias. A nossa sensibilidade altera-se”, diz Elisabete Matos. É a capacidade de ver que a verdade de hoje não será a verdade de amanhã, tal como Callas transmitia em cada uma das suas atuações, explica a solista portuguesa.

Verdi, no século XIX, apropriou-se do enredo da peça teatral de Shakespeare e cristalizou-o numa ópera. Hoje, é uma das óperas mais encenadas em todo o mundo. E tornou-se impossível fugir à relação trágica das duas personagens principais: Macbeth é um fantoche nas mãos da sua Lady.

“É uma personagem muito influenciada pelas mulheres, tal como todos os homens”, diz Àngel, a rir-se. Durante a ópera, assiste-se à exigência constante de Lady Macbeth para o marido “ter de matar, ter de matar, ter de matar”. “Sexo e violência, uma moeda que tem duas caras”, diz Àngel. As duas personagens “têm uma relação muito íntima, mas passada em zonas muito escuras”, explica o solista espanhol. A ânsia do poder, o erótico do poder, une-as num projeto de conquista comum. Mas é o “maquiavelismo” de Lady Macbeth que comanda, sempre. “Ele [Macbeth] , no fundo, não é mais do que um homem um pouco débil”, diz Elisabete.

Para a solista, Lady Macbeth tem um encanto especial. A personalidade torcida da personagem apela aos instintos mais básicos do que é ser humano. “Acho que o ser humano é perverso por natureza. Tem a capacidade de ser bom, de ser magnânimo, de ser sensível, mas também a capacidade de ser cruel. Todos nós temos essa bagagem dentro de nós. Todos nós temos algo de perigoso”, afirma. Interpretar personagens assim dá-lhe “muito prazer”, devido ao contraste que faz com a sua personalidade.

Conforme Lady Macbeth mexe a sua teia da narrativa desejada, a ópera avança. E, no final, é a loucura que dá o golpe decisivo a Lady Macbeth. “O conflito, o controlo dos outros, é um jogo interessante, mas no final do dia o que é que o ser humano o precisa? De tranquilidade. Pode precisar de poder, mas o poder é uma coisa que existe hoje. Amanhã não”, diz Elisabete Matos.

Desde a segunda semana de fevereiro que os bilhetes, para esta ópera, estão esgotados. Os preços variavam entre os 20 e os 50 euros.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)