Com o aumento dos cidadãos que deixam a Europa para se juntarem ao Estado Islâmico, os países europeus estão a apertar a vigilância e a segurança. Mas o aumento das dificuldade em chegar às frentes de combate, nomeadamente na Síria e no Iraque, parecem não estar a afetar o número de jihadistas recrutados, com o Estado Islâmico a virar-se cada vez mais para o recrutamento na Ásia.

A Agência Reuters contactou via internet combatentes na Síria e no Iraque, que afirmaram que os europeus recrutados são apenas uma fração do corpo de soldados do grupo terrorista. “Agora, a maioria dos combatentes [estrangeiros] chega de países asiáticos, como o Tajiquistão e o Uzbequistão. São combatentes duros”, disse um jihadista.

Em janeiro, a BBC já tinha dedicado um artigo ao recrutamento de combatentes no Afeganistão pelo Estado Islâmico. Há relatos de que o grupo pode ter já 60 mil combatentes na Síria e no Iraque, a maioria sunitas.

Muitos cidadãos europeus têm viajado para a Turquia como turistas, tentando depois atravessar de forma camuflada a fronteira com a Síria para se juntarem à frente de combate. Mas o perigo vai além do recrutamento de soldados para combaterem no Médio Oriente.

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De acordo com a Reuters, alguns militantes do Estado Islâmico estão a avisar que as restrições se podem virar contra a Europa, devido ao facto de os jihadistas poderem passar a perpetrar ataques terroristas nos países europeus onde vivem. Atentados recentes como os de Paris estão a fazer com que a Europa repense o Acordo de Shengen, que atualmente permite a 400 milhões de europeus viajarem dentro de 26 países europeus sem passaporte, abolindo os controlos fronteiriços.

O Governo português aprovou esta quinta-feira oito alterações a leis para combater o terrorismo. A alteração da lei de combate ao terrorismo criminaliza, por exemplo, a apologia pública do crime de terrorismo e a viagem para a adesão a organizações terroristas, dando cumprimento à Resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas relativa à luta contra o terrorismo.