Cerca de cinco milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária devido ao conflito no leste da Ucrânia, alertou hoje a ONU, referindo que se trata de “uma situação muito sombria”. “Existe verdadeiramente uma crise humanitária nas zonas controladas pelos separatistas”, sublinhou o coordenador para a ajuda humanitária da ONU na Ucrânia, Neal Walker, de passagem por Bruxelas para incitar as instituições europeias a contribuir para um novo apelo de recolha de fundos lançado esta semana pelas Nações Unidas, que procuram chegar aos 282 milhões de euros.

A ONU calcula que 4,7 milhões de pessoas que estão em território separatista, em zonas de combate ou nas suas proximidades, estejam a necessitar de ajuda. Além disso, 300 mil pessoas fugiram para outras partes do país e um milhão procurou refúgio no exterior, para escapar ao conflito que já matou 5.800 pessoas em dez meses. “Assistimos a um abrandar momentâneo dos combates nas últimas 24 horas e esperamos sinceramente que o cessar-fogo nos permita dar resposta a necessidades humanitárias críticas”, disse o coordenador da ONU.

Para poder agir, as Nações Unidas têm de cruzar a linha de frente do exército ucraniano, construir “abrigos de emergência”, saneamento, conseguir acesso a água, além de “haver uma necessidade desesperada de medicamentos”, indicou Neal Walker, acrescentando que, até agora, “o conflito tornou muito difícil o trabalho”, que passa por assegurar que chegam aos casos de maior vulnerabilidade.

“Essas pessoas têm vivido em circunstâncias extremamente difíceis, sob bombardeamentos constantes, pelo que se esconderam em adegas e caves onde não dispõem de sanitários, muitas vezes não têm comida nem água ou aquecimento”, descreveu o responsável.

Por outro lado, Neal Walker relativizou o impacto da recente interrupção do fornecimento de gás aos territórios separatistas por parte de Kiev, afirmando que, “com ou sem gás, muitos edifícios não têm aquecimento, as suas janelas estão partidas ou os telhados perfurados”. “A questão do abrigo e do aquecimento não tem apenas a ver com o gás, mas sobretudo com um cessar-fogo sustentável, uma paz viável”, concluiu.