Alegre e com um sorriso nos lábios. É assim que Andreas Lubitz, o copiloto responsável pela queda do avião Airbus 320 que vitimou 150 pessoas na região dos Alpes, se mostrava no vídeo de 30 segundos emitido pela cadeia ITV News, durante um dos seus primeiros voos antes de começar o treino na companhia alemã Lufthansa. O vídeo foi publicado no site do canal norte-americano CNN. A “depressão profunda”, a alegada doença psicótica, os problemas de visão que poderiam por fim ao seu sonho de se tornar piloto, bem como o conflito com a namorada, grávida, só apareceram mais tarde.

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Lubitz iniciou a sua formação aos 20 anos, em 2007, na escola da companhia alemã Lufthansa em Bremen, Alemanha. Sonhava tornar-se piloto. Um ano depois viu-se obrigado a interromper o treino devido a uma “depressão profunda”, ficando em tratamento durante um ano e meio. Em 2013, retomou a formação, passando nos testes com “distinção”. Posteriormente, foi contratado pela companhia “low-cost” alemã Germanwings, comprada em 2009 pela Lufthansa.

Desde o episódio depressivo, ocultado à Germanwings, Andreas Lubitz ficou condicionado pela necessidade de efetuar “revisões médicas regulares”. Soube-se este sábado que o copiloto do Airbus 320 também sofria de um transtorno de ansiedade generalizada, estando a tomar medicamentos para controlar a doença, bem como a efetuar um tratamento para um possível “descolamento da retina”, condição que poderia por fim à sua carreira como piloto e que lhe provocava “stress profundo”, escreve o jornal norte-americano The Washington Post.

Segundo os médicos responsáveis pelo seu tratamento, estavam-lhe a ser administradas injeções de Olanzapina, um medicamento classificado como antipsicótico usado para o tratamento de doenças como esquizofrenia e bipolaridade, bem como Angomelatina, para controlar os problemas de sono de que o copiloto alegadamente padecia, afirma o jornal espanhol El Mundo.

Após terem sido efetuadas buscas na sua casa situada em Montabaur, uma pequena localidade perto de Düsseldorf na Alemanha, foram encontrados no caixote do lixo documentos médicos que correspondem à identificação e tratamento “de uma doença” e “baixas médicas” que incluíam o dia do acidente com o Airbus 320, na região dos Alpes. Documentos que Lubitz ocultou à empresa e cujas indicações — como não voar — nunca cumpriu.

Andreas Lubitz vivia em Düsseldorf com a sua namorada, de 26 anos, que, alegadamente, terá dito aos alunos da escola onde trabalhava que estaria grávida, afirma o jornal inglês The Independent. A fonte escreve que Lubitz fazia intenções de casar com ela, mas que o namoro passava por uma fase difícil, e que a separação teria sido também uma das causas para o seu acto.

As equipas de buscas continuam a tentar identificar os passageiros do voo 4U-9525 e a procurar a segunda caixa negra do avião. Já foi possível localizar de forma concreta a zona do acidente e está a ser aberto um caminho pela montanha, para que veículos todo-o-terreno consigam prosseguir com as buscas.