A chanceler alemã, Angela Merkel, garantiu esta segunda-feira que não irá dar ouvidos às sondagens na Alemanha enquanto tem em mãos o tema quente da Grécia. Merkel assegura que o descontentamento e a impaciência de uma parte crescente do seu eleitorado não a preocupam e sublinha que cabe à Grécia cumprir com o que lhe é exigido para que resolver a incerteza que se arrasta há mais de dois meses.

“O que estou a fazer politicamente não depende de sondagens, que, inclusivamente, variam bastante”, afirmou Angela Merkel. O que irá orientar, então, as escolhas políticas da Alemanha na gestão desta crise na Grécia, onde os cofres públicos se aproximam perigosamente do limite? “A capacidade da Grécia de cumprir as expectativas que todos temos”, explicou a chanceler alemã, durante uma visita à capital finlandesa, Helsínquia.

Alexis Tsipras pediu uma reunião plenária do Parlamento grego, a realizar esta segunda-feira, 30 de março, para explicar aos deputados os pormenores das negociações que estão a ser realizadas entre a Grécia e os credores internacionais. Durante o fim de semana, as delegações de Atenas e dos credores internacionais tiveram discussões em Bruxelas, mas as conversas foram inconclusivas.

Angela Merkel disse, em Helsínquia, que “este será um processo de negociações longo”. Mas garantiu que “estamos a trabalhar para que a Grécia consiga manter-se como parte da zona euro”, algo que os indicadores de mercado mostram ser um cenário que os investidores receiam cada vez mais. A chanceler alemã recusou fazer quaisquer comentários sobre a evolução das negociações: “temos de aguardar as conclusões”, afirmou.

Quanto a cedências por parte da Europa nestas negociações, Angela Merkel passou uma mensagem mais tolerante do que o seu congénere finlandês, Alexander Stubb, responsável que tem mostrado publicamente ser um dos mais duros na negociação com a Grécia. Merkel diz que “a Grécia tem flexibilidade nas medidas que escolhe, mas no final o enquadramento geral tem ser respeitado”. Já Alexander Stubb asseverou que “o tempo está a esgotar-se” e que “as condições impostas à Grécia não irão ser alteradas”.