A tecnologia satélite permite ao Google Maps fazer zoom quase até à pedra da calçada. Agora imagine que conseguia fazer o mesmo com as células que existem no interior do joelho. Esta possibilidade foi apresentada por Melissa Knothe Tate, engenheira biomédica da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália), na conferência da Sociedade de Investigação Ortopédica, em Las Vegas (Estados Unidos).

Juntaram-se três fatores de peso: os conhecimentos em osteoporose da equipa de Melissa Knothe Tate, a qualidade dos instrumentos óticos e de medida da Zeiss e a capacidade de processamento de uma grande quantidade de dados da Google. E conseguiu-se aproximar a observação da anca desde a ligação entre os ossos até ao pormenor da célula, reduzindo um trabalho que podia levar 25 anos a umas quantas semanas, refere o comunicado de imprensa da universidade.

“Pela primeira vez temos a capacidade de ir desde o corpo todo até como as células estão a conseguir as suas fontes de alimento e como tudo isto está interligado. Isto pode abrir a porta a novas formas de terapia e prevenção ainda desconhecidas”, diz Melissa Knothe Tate, em comunicado de imprensa.

A investigadora tem estudado o desenvolvimento de osteoporose em cobaias. À medida que envelhecem, estes animais tendem a desenvolver a doença provavelmente por quebra nas ligações celulares. O transporte molecular no sangue, músculos e ossos também parece desempenhar um papel neste processo. Em 2011, Melissa Knothe Tate teve conhecimento da tecnologia criada pela Zeiss para avaliar a qualidade de peças de silicone em componentes eletrónicos e depressa se estabeleceram as parcerias necessárias para levar a tecnologia para outras áreas de investigação.

A equipa de Melissa Knothe Tate também usa técnicas de ressonância magnética para estudar os fenómenos que levam à osteoporose, mas como a investigadora disse à Quartz: “A ressonância magnética é equivalente a olhar para um mapa dos Estados Unidos ou da Europa, onde se veem as fronteiras individuais dos países. [Com esta tecnologia] é possível ver cada habitante nas cidades e países.”

A tecnologia que Melissa Knothe Tate apresentou na conferência ainda não pode ser usada para ver todo o organismo, mas é a primeira vez que é utilizada em humanos. As equipas que em Harvard, nos Estados Unidos, e na Alemanha utilizam uma tecnologia semelhante têm mapeado os circuitos neuronais no cérebro.