A obra “Estrada do esquecimento e outros contos”, que revela ao público cerca de duas dezenas de inéditos de Fernando Pessoa, é publicada esta quinta-feira pela Assírio & Alvim. “Reúne-se nesta edição um conjunto de narrativas de Fernando Pessoa, das quais 20 se encontravam ainda inéditas”, afirma a editora em comunicado enviado à agência Lusa, acrescentando que esta obra surge na continuidade de “O mendigo e outros contos”, publicada em 2012.

À semelhança desta coletânea, “Estrada do esquecimento e outros contos” tem uma introdução de Ana Maria Freitas, investigadora do Instituto de Estudos sobre o Modernismo, da Universidade Nova de Lisboa, que tem estudado o espólio do escritor.

Na nota introdutória, Ana Maria Freitas adverte que “esta, como outras edições da obra de Pessoa, partiu de textos que não tinham ainda atingido um estado final”. “Embora a intenção de publicar nunca estivesse longe do pensamento de Pessoa, pouco da sua obra de ficção foi publicado em vida. Este facto implica que qualquer edição da sua obra tenha de percorrer o caminho que o autor fez ao criar os seus textos e tentar adivinhar as suas intenções, para garantir a fidelidade ao seu projeto”, escreve a investigadora.

A Assírio & Alvim, no mesmo comunicado, realça o “rigoroso trabalho de edição levado a cabo por Ana Maria Freitas” e atesta que “este livro vem aprofundar, decisivamente, o conhecimento que temos sobre uma área importante da criação pessoana, trazendo a público 20 contos de Fernando Pessoa até agora inéditos”.

“O elogio histórico de D. Miguel Roupinho” (incompleto), “A Estrada do esquecimento”, “O caso do sargento falso”, “A trincheira”, “Uma tarde clerical”, “A caçada”, “Um conto”, “O prior de Buarcos”, “O que fazia o bem”, “O José Mole”, “Gastrónomo”, “A perda do hiate Nada”, “Fábula imoral” e “As memórias de Constantino Dix” são alguns do 18 contos inéditos que agora são dados a conhecer.

Fernando Pessoa (1888-1935) apenas publicou alguns poemas dispersos em vida, incluindo alguns assinados pelos seus heterónimos, e “Mensagem”, em 1934. Em 1915 fez parte do grupo fundador da revista “Orpheu”, que introduziu a estética modernista em Portugal, e na qual publicou em seu nome e no do seu heterónimo Álvaro de Campos.