Rádio Observador

Quénia

Estudante queniana conta como escapou à morte dentro de um roupeiro

226

Cynthia Cheroitich começou por esconder-se debaixo da cama, mas depois achou que o roupeiro que tinha no dormitório seria mais seguro. Teve razão. Quando lhe disseram que estava segura não acreditou.

Assalto a uma universidade no Quénia provocou 148 mortos.

CARL DE SOUZA/AFP/Getty Images

Depois do terror, surgem as histórias de sobrevivência. Fruto da sorte ou de uma boa dose de sangue frio.

Os terroristas do al-Shabab mataram 148 pessoas. Não foram 149 porque Cynthia Cheroitich conseguiu esconder-se a tempo dos terroristas. Em declarações à CNN, contou que assim que ouviu os primeiros tiros, saiu do quarto e perguntou “o que é que está a acontecer?”. Não demorou muito até voltar a esconder-se no quarto. Primeiro, foi para debaixo da cama, enquanto ouvia lá de fora os homens do al-Shabab a dizer “quem está dentro, quem está escondido debaixo da cama, que saia depressa”.

Muitos dos estudantes, possivelmente por acharem que se cumprissem as ordens dos sequestradores poderiam ficar em segurança, obedeceram à ordem. Cynthia teve outro entendimento. Fechou-se no armário, tapou-se com as roupas que lá estavam e só saiu de lá dois dias depois.

Dentro do móvel, Cynthia ouviu os terroristas a dizerem “aqueles que não conseguem ler as palavras do Islão, deitem-se no chão. Aqueles que sabem, vão para o outro lado”. De seguida, mataram com um tiro na nuca os cristãos e também alguns muçulmanos.

Cynthia ouviu cada tiro com os olhos fechados debaixo da pilha de roupas que a escondia. “Fiquei de olhos fechados. Não queria abrir os olhos, só queria fechá-los naquela altura.”

Até que, mais de 50 horas depois, apareceram polícias quenianos no quarto. O perigo já tinha passado há quase dois dias após os terroristas terem sido abatidos, mas Cynthia não tinha como sabê-lo. Por isso, quando os agentes abriram as portas do armário onde ela se escondia e lhe disseram que podia sair em segurança, Cynthia desconfiou. “Como é que posso saber se vocês são da polícia do Quénia?”, perguntou-lhes. Só acreditou quando apareceu o reitor da universidade. “Este é o teu professor, agora já estás segura”, disseram-lhe. “Dá graças a Deus por estares segura neste momento.”

Também há relatos de estudantes que se sujaram com o sangue dos colegas já mortos, para que assim os terroristas pensassem já não estavam vivos. Outros conseguiram fugir para dentro da mesquita do campus universitário, onde alguns do alunos muçulmanos de Garissa cumpriam a oração matinal, às 5h30.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jadias@observador.pt
Socialismo

Má-fé socialista /premium

José Miguel Pinto dos Santos

Não é a situação social em Portugal muito melhor que na Venezuela — e que nos outros países socialistas? Sim, mas quem está mais avançado na implantação do socialismo, Portugal ou Venezuela?

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)