destaque

Há frases, frases e mais frases sobre o assunto, que é o mesmo que, todas as semanas, por cá e no resto do mundo, junta 22 homens, uma bola, alguém com um apito e os mistura num relvado. Para Fernando Gomes, o bibota (duas vezes melhor marcador europeu), o avançado que andou pelo FC Porto e o Sporting a distribuir golos, marcá-los era “como ter um orgasmo”. Terá tido bastantes, portanto, já que marcou 419 na carreira. Outros, como Bojan Krikic, dizem que é mesmo “melhor do que um orgasmo”. E depois há uns tantos que não se pronunciam nem inventam analogias, mas marcam que se fartam.

É o caso de Jonas, o senhor que, no verão, chegou à Luz e Jorge Jesus manteve no microondas, a aquecer, até outubro. Tanto que não foi a tempo de jogar na Liga dos Campeões, e por isso, de olhar para outras balizas que não apenas as que tem à frente em Portugal. E por cá lhes tem sorrido, muito — contra a Académica, no sábado, fez o 23.º e o 24.º golo esta temporada, meia dúzia deles no campeonato. São muitos, quase tantos quanto os que os três homens com a profissão de marcar golos têm no Sporting. Sim, juntos, Islam Slimani (12), Fredy Montero (10) e Junya Tanaka (seis) somam 28 bolas rematadas para as redes esta época.

O último veio do japonês, que mais ou menos trapalhão, lá vai marcando os seus e voltou a dar uso à canhota, em Setúbal. Quem não usa os pés ou a cabeça há muito (desde o início de março) é Jackson Martínez, ainda parado por uma lesão que, antes de aparecer, o deixou marcar 26 golos. Ou seja, enquanto dragões e encarnados têm um avançado a quem já agradeceram mais de duas dezenas de golos, os leões têm dividido o bem pelas aldeias. Todos são amigos do golo, nenhum, porém, é português.

Mas eles existem e Marco Matias parece estar a inspirar-se no português a quem o golo mais trata por tu. Porque, e salvo as óbvias, e bem grandes, diferenças, o homem do Nacional da Madeira, tal como Cristiano Ronaldo, se mascara de sossegado numa faixa, como um extremo, para depois aparecer, de rompante, na área, para ser ele a fechar com remates as jogadas que a equipa monta. Marco vai com 17 golos esta época, 13 na liga, e marcou dois frente ao Gil Vicente. Com tanta e tanta experiência que a seleção nacional fez no amigável contra Cabo Verde, houve pelo menos uma ficou por fazer.

E, por este andar, a não ser que Bruno Moreira, do Paços de Ferreira (oito golos), desate a marcar, Marco Matias deverá terminar a época como o melhor marcador português do campeonato. Nada mau, para quem sempre andou perto das linhas laterais a preocupar-se mais com cruzamentos do que com remates. Só dois homens, dois jogadores de seleção (Jonas e Jackson) que andam pelo campeonato é que já marcaram mais golos que o ex-Vitória de Guimarães. Está no bom caminho.

desilusão

A luta pela Europa está animada por dois motivos. O primeiro, porque o Sporting de Braga, caso o anormal não aconteça, estará na final da Taça de Portugal (venceu por 3-0 o Rio Ave na primeira mão das meias-finais) e, por isso, fará com que o sexto lugar do campeonato também dê direito a um bilhete rumo à Liga Europa. E o segundo chama-se Vitória de Guimarães.

Os vimaraneses, que até ao Natal tanto baterem o pé a quem andava nos degraus de cima da liga, têm tropeçado e andado aos trambolhões em 2015. Desde 1 de janeiro, e em 14 partidas, a equipa de Rui Vitória só venceu quatro. As contas, resumindo, mostram que o Vitória apenas conquistou 12 dos 42 pontos que teve por colher neste ano civil. Pouco, tão pouco que até o Moreirense, contra quem perdeu nesta jornada (2-1) e que está no 10.º lugar, com 35 pontos, tem hipótese de alcançar os 43 dos vimaranenses.

frase

“No final, não podem ser os árbitros a decidir os campeonatos.” A frase veio da boca de Vítor Pereira, o presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), e serve para tocar em várias coisas. A primeira, e a mais recente, no facto de uma disputa financeira entre os homens do apito e a Liga de Clubes estar a ameaçar que, a 26 de abril, o Benfica-FC Porto que, para já, poderá decidir o título, pode não ser apitado por um árbitro de primeira categoria.

Depois, as palavras do líder da arbitragem da federação também tocam nas críticas que, por muito que se faça, acabam sempre por surgir. Julen Lopetegui, treinador do FC Porto, por exemplo, tem por hábito comentá-las após os jogos dos dragões ou de, pelo menos, responder às perguntas que, insistentemente, os jornalistas lhe colocam sobre os mesmos assuntos. O certo é que, por enquanto, há o risco de as últimas cinco jornadas do campeonato não terem os melhores árbitros portugueses. E, quer Vítor Pereira queira, ou não, isso acabar por influenciar os jogos.

resultados

Arouca 1-0 Belenenses
Boavista 0-2 Marítimo
Benfica 5-1 Académica
Rio Ave 1-3 FC Porto
Moreirense 2-1 Vitória de Guimarães
Nacional da Madeira 3-2 Gil Vicente
Sporting de Braga 4-0 Penafiel
Vitória de Setúbal 1-2 Sporting
* o Estoril Praia-Paços de Ferreira joga-se a partir das 20h desta segunda-feira.

Se é bom ver um português marcar dois golos num jogo do campeonato, melhor será que outro também o consiga fazer. Ruben Micael logrou-o em Braga, frente ao Penafiel, primeiro com a cabeça e depois com o pé direito. É a só a terceira vez que bisa na carreira e, nesse jogo, não foi o único — Felipe Pardo, o extremo colombiano que tem muito de ambidestro, também marcou dois com o pé esquerdo, jogando à direita.