A resposta à carta rogatória enviada pelo Ministério Público (MP) às autoridades suíças terá já permitido apurar como é que circularam 17 milhões de euros que terão ido parar a contas de José Sócrates, como pagamento de “luvas”. Mas não são só os movimentos bancários daquele País que foram passados a pente fino, segundo o jornal Expresso. A investigação do MP já passou, além de Portugal e Suíça, por oito outros países, de três continentes, onde estão a ser analisados vários negócios e movimentos bancários. Estes dados serão fundamentais para a acusação ao ex-primeiro-ministro, que se encontra detido desde novembro no âmbito da “Operação Marquês”, por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

A carta rogatória que os investigadores enviaram para a Suíça na tentativa de perceber alguns dos movimentos bancários entre Sócrates, o empresário e amigo Santos Silva (que também se encontra detido) e o Grupo Lena (cujo vice-presidente António Barroca está igualmente detido, neste caso em prisão domiciliária, desde a semana passada), mostra que Sócrates terá recebido três milhões de euros do Grupo Lena, 12 milhões de de duas empresas controladas por Hélder Bataglia, fundador da Escom (do Grupo Espírito Santo), e dois milhões de euros de um cidadão holandês, Jeroen van Dooren, que até aqui não tinha sido referenciado no processo.

Como? Os três milhões terão sido depositados na conta do administrador do Grupo Lena, Joaquim Barroca, que o transferiu para uma conta na Suíça em nome do empresário Carlos Santos Silva e que, diz o MP, foram depois parar a José Sócrates. A Markwell e a Monkway, empresas cujo beneficiário é Bataglia, transferiram 12 milhões para Joaquim Barroca, que por sua vez transferiu para as contas suíças controladas por Carlos Santos Silva. Mais uma vez, o MP acredita que este dinheiro foi entregue a Sócrates. O outro valor apurado, de dois milhões de euros, saiu da conta de um empresário holandês para Joaquim Barroca e, depois, para duas empresas, a Giffard Finance e a Vama Holding. O MP acredita que tenha ido também para José Sócrates. Uma convicção que a defesa de Sócrates, assegurada pelos advogados João Araújo e Pedro Delille, contesta esta conclusão, por considerar não existir qualquer ligação ao ex-primeiro-ministro.

A investigação do MP já passou por dez países diferentes, além de Portugal e da Suíça, diz o Expresso, foram detetadas transações no Reino Unido, na Itália, na Alemanha, na Roménia, Estados Unidos, Angola, Venezuela e Argélia – países onde o Grupo Lena teve vários negócios, grande parte deles contratos conseguidos quando José Sócrates era primeiro-ministro.

O jornal i dá conta ainda de que a investigação, que reúne já sete arguidos, tem ainda um outro alvo: Rui Mão de Ferro, o sócio do empresário Carlos Santos Silva a quem este terá telefonado quando se apercebeu que estava a ser investigado pelo Ministério Público