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“Tínhamos o país inteiro contra os pilotos”, reconheceu esta sexta-feira o dirigente do sindicato dos pilotos (SPAC), mas mesmo “neste contexto muito adverso conseguimos infligir um dano de 30 milhões na companhia”. O SPAC recusa a conclusão de que a greve de 10 dias na TAP seja um fracasso.

A dois dias de terminar a paralisação de dez dias, Hélder Santinhos não exclui uma outra greve. O tema será discutido numa futura assembleia geral, a convocar depois de 10 de maio, mas Hélder Santinhos deixa uma garantia: “os pilotos não vão baixar os braços”, uma vez que o conflito não está sanado. A proposta da direção terá em conta as consultas aos associados, acrescentou. O sindicato tem um fundo de greve ainda com margem para suportar o pagamento dos salários aos associados quando fazem greve.

A direção do SPAC (sindicato dos pilotos da aviação civil) decidiu agora explicar publicamente as razões que estão por trás da paralisação de dez dias, perante o que considera ser propaganda do governo e da empresa e a amplitude que o tema está a ter na comunicação social.

Em conferência de imprensa, Hélder Santinhos voltou a elencar a lista de motivos para esta greve e que resultam daquilo que o sindicato considera ser o incumprimento do acordo de dezembro assinado com o governo e os outros oito sindicatos da TAP.

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Uma das principais reivindicações prende-se com as diuturnidades, que correspondem às progressões na carreira que foram suspensas durante o período do ajustamento, por causa dos cortes nos salários. Em causa estão 6,5 milhões de euros, um valor que dizem, é inferior aos prejuízos provocado pela greve, mas que diz respeito ao acréscimo de custos em apenas um ano. Em cinco anos, chegamos a um valor superior aos 30 milhões.

Entre os temas do desacordo está prometida renovação do acordo de empresa por 30 meses, que a TAP se terá recusado a assumir, publicando, a atualização das ajudas de custo e pagamento de dias extra de férias. Tudo questões que o sindicato quer ver resolvidas com a empresa ainda nas mãos do Estado, para evitar que estes ónus passem para os privados sem estar refletidos no valor da empresa.

O sindicato dos pilotos quer assegurar o cumprimento destas reivindicações antes da privatização da TAP porque recusa “subsidiar” o investidor privado, por via da redução dos custos laborais da transportadora. O SPAC receia um cenário semelhante ao da Ibéria que depois de privatizada sofreu uma forte redução do número de trabalhadores e rotas.

E porquê agora e não em 2012 quando a TAP esteve quase a ser vendida?

Porque esta privatização é “diferente”, está a ser realizada no final da legislatura e não há um consenso político, é uma operação precipitada, justifica Hélder Santinhos. O sindicato defende que a privatização deve ser antecipada de um acordo alargado que assegure a manutenção da TAP em Portugal. Hélder Santinhos sublinha que o caderno de encargos não prevê uma penalização do futuro dono da TAP caso o hub seja deslocado de Lisboa.

E porque não contestam os outros sindicatos da TAP incumprimento do acordo de dezembro?

É uma pergunta que Santinhos devolve aos outros dirigentes sindicais. No final da conferência, o presidente do SPAC, Manuel Santos Cardoso, quebrou o silêncio para deixar a nota: “Temos mais experiência de acordos que não têm sido cumpridos”. Uma referência ao célebre acordo de 1999 que dava aos pilotos o direito de ficarem com 10% a 20% da da TAP, outra matéria que separa os pilotos da TAP e do governo e que quase não foi tratada nesta conferência.

Apesar da postura combativa, o SPAC mostrou-se ainda disponível para retomar o diálogo.