O antigo primeiro-ministro português e ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considerou esta segunda-feira que se o Reino Unido saísse da União Europeia – conhecida por “Brexit” -, em consequência de um referendo interno, isso seria uma derrota para todos. “Seria uma derrota para nós todos. Eu penso que também seria para o Reino Unido”, declarou Durão Barroso, durante uma conferência promovida pela associação cívica Plataforma para o Crescimento Sustentável, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa.

Durão Barroso argumentou que “se um país como o Reino Unido sai da União Europeia, tem muito menos influência na União Europeia”, e apontou a este propósito “a posição predominante na Europa” da Alemanha, que defendeu ser “uma evolução recente” e “mais por falta dos outros do que por próprio esforço”.

O ex-presidente da Comissão Europeia referiu-se ao Reino Unido como “uma das grandes potências europeias e do mundo”, com “uma rede internacional poderosíssima” e “forças armadas credíveis” o que, na sua opinião, “no momento atual geopolítico que se vive na Europa não é despiciendo”.

“Seria, portanto, uma derrota e seria assim vista, de Washington a Pequim, se o Reino Unido saísse da União Europeia”, acrescentou. “Aliás, os americanos já o disseram claramente. Os americanos desejam ver o Reino Unido na União Europeia”, apontou.

Quanto ao resultado do referendo a realizar no Reino Unido, Durão Barroso considerou-o incerto, mas fez uma aposta: “Eu penso que é possível ganhar esse referendo, e não só penso como o desejo. E se tivesse de apostar, hoje em dia até apostaria a favor do sim, porque conheço o tradicional pragmatismo da maioria dos britânicos”.

O ex-presidente da Comissão Europeia definiu o primeiro-ministro britânico, David Cameron, como “um europeísta pragmático”, embora não “uma pessoa de convicção europeísta”, que “quer o Reino Unido na União Europeia”, mas enfrenta uma pressão antieuropeia. No seu entender, o primeiro-ministro britânico “estava e está sob grande pressão” do UKIP, que qualificou de “partido xenófobo”, mas também de “eurocéticos do seu próprio partido”.

Segundo Durão Barroso, contudo, face aos resultados das eleições britânicas, Cameron “tem hoje uma autoridade maior para conseguir fazer passar uma agenda europeia” e está a procurar negociar um acordo com os parceiros europeus para apresentar ao eleitorado britânico como positivo. O antigo primeiro-ministro utilizou a designação de “perigoso” ao falar sobre o referendo no Reino Unido, mas depois ressalvou que não tinha “nenhum preconceito” em relação a esse instrumento político, e que se referia à dificuldade de prever o seu resultado.

“Muitas vezes aquilo que determina o voto dos eleitores num referendo tem tanto a ver com a pergunta que é colocada, e com modo como é colocada, como com a conjuntura política que se vive nesse momento. É nesse sentido que digo que é perigoso”, justificou.