Foi este o golo da discórdia, que muita tinta fez correr em 2009, mas que valeu perto de cinco milhões de euros de indemnização à Federação irlandesa. Uma indemnização que nunca foi tornada pública, mas que John Delaney, o presidente da Federação, veio esta quinta-feira divulgar numa entrevista à RTE, a televisão estatal da Irlanda.

A verdade é que, conforme a investigação norte-americana e da Procuradoria-Geral suíça vão avançado, há cada vez mais protagonistas do futebol, sobretudo dirigentes e ex-dirigentes,  que vão contando que relações (as económicas, que envolveram pagamentos ou subornos) foram mantendo com a FIFA. O presidente da Federação sul-africana de futebol, Danny Jordaan, foi um dos últimos, e admitiu, citado pelo Sunday Independent local, que a África do Sul pagou 10 milhões de dólares à FIFA, em meados de 2008, para garantir que o país acolheria mesmo o Mundial de 2010.

John Delaney, quando questionado pelo apresentador, Ray D’Arcy, sobre se o valor pago de indemnização foi de cinco milhões de euros, não confirmou, por ter “assinado um termo de confidencialidade” com a FIFA, mas admite que foi “um acordo muito bom e totalmente legítimo”. E legítimo porquê? “Nós sentíamos que era possível avançar com uma queixa na justiça contra a FIFA, dado o modo como nós fomos afastados no play-off, com a mão do Henry”.

A Federação da Irlanda chegou mesmo a sugerir à FIFA que o Mundial de 2010 tivesse 33 países, e não os 32 habituais, sendo que, quer Irlanda, que França, participariam na prova. Joshep Blatter rejeitou. “Reuni-me com ele. E disse-lhe — à distância que estou de si [Ray D’Arcy] — que ele a FIFA são um embaraço para o futebol. E ele respondeu-me: ‘Ninguém fala comigo nesses termos!”, ao que disse ‘Pois, mas eu falo’, e a conversa terminou ali. Isto foi numa quinta-feira. Na segunda-feira seguinte já o acordo tinha sido assinado.”, confessou John Delaney à RTE.

O jogo foi a 18 de novembro de 2009, no Parques dos Príncipes, em Paris. O resultou foi 1-1, com o golo da França a ser marcado por Gallas em tempo de compensação, aos 103′. Na primeira-mão do play-off, a França até venceu a Irlanda por 1-0, golo de Anelka, mas, em Paris, um remate certeiro de Robbie Keane, com 33 minutos decorridos, deixou tudo empatado, e o jogo foi para prolongamento.

O problema é que o golo de Gallas surge depois de um domínio de Thierry Henry com a mão, logo no início da jogada que resultou no apuramento da França. Os irlandeses bem protestaram, Giovanni Trapattoni foi quem mais se exaltou, mas Martin Hansson validou o golo.

Hoje sabe-se que a Irlanda não foi à África do Sul, mas a sua Federação até ganhou mais dinheiro do que a francesa, uma vez que o país foi eliminado logo na fase de grupos da competição, ficando mesmo em último lugar.