A malária (ou paludismo) é uma doença infecciosa que mata todos os anos cerca de 600 mil pessoas em África. É causada pelo parasita Plasmodium e transmitida através da picada de mosquitos. Os parasitas são introduzidos na corrente sanguínea e alojam-se no fígado do hospedeiro. Cerca de 10 a 15 dias depois, aparecem os sintomas: calafrios, vómitos, febre e diarreia. Se não for tratada, a doença pode causar a morte em apenas alguns meses. O problema é que vários parasitas já desenvolveram resistência aos medicamentos disponíveis. A boa notícia é que foi anunciado um novo fármaco contra a doença, escreve-se hoje no El País.

O novo medicamento já provou ser eficaz no tratamento da malária em roedores com sangue humano. O fármaco, chamado DDD107498, “é muito eficaz em roedores com malária, e esperemos que estes resultados se repliquem em pessoas”, afirmou Ian Gilbert, o líder da equipa internacional que conduziu a investigação, publicada esta quarta-feira na revista Nature, e um dos responsáveis da Unidade de Descoberta de Fármacos da Universidade de Dundee, na Escócia.

O medicamento tem a particularidade de conseguir matar o parasita em todas as fases do seu ciclo de desenvolvimento, é capaz de bloquear a transmissão da doença através dos mosquitos e funciona com uma só dose, administrada por via oral. Mais, e porventura ainda mais importante: “o tratamento custaria menos de um dólar”, explica a química espanhola Beatriz Baragaña, investigadora na mesma universidade.

Contudo, “o índice de fracasso [do medicamento] nesta fase da investigação alcança os 80%”, reconhece Javier Gamo, chefe da Unidade de Malária da farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK) espanhola, onde estão a ser conduzidas experiências no âmbito desta investigação.

A molécula DDD107498 vai agora entrar na chamada fase pré-clínica, que será conduzida pela farmacêutica Merck Serono. Nesta etapa, será estudado se o tratamento poderá ser potencialmente tóxico para outras duas espécies animais. “Se tudo correr bem, os testes clínicos em humanos poderão ser iniciados em 12 meses”, estimou Ian Gilbert. A comercialização do medicamento poderá demorar “pelo menos mais cinco anos”, segundo o investigador.