Da lista de mais de 77 mil espécies de seres vivos, 23 mil estão em vias de extinção noticiou a International Union for the Conservation of Nature (IUCN). A instituição, responsável pelos esforços na conservação das espécies prestes a extinguirem-se, atualizou a “Red List” onde se incluem esses animais e plantas e levantou novas preocupações sobre a manutenção da biodiversidade.

Mundo animal

Alguns dos animais presentes nesta lista vermelha são o leão, o caranguejo e o gato dourado selvagem.

Em África, a caça ilegal e a utilização dos ossos do leão para a medicina tradicional são os grandes responsáveis pela ameaça de extinção que recai sobre este felino.

Mas a perseguição ilegal a determinados animais e a introdução de espécies alóctones – isto é, que não sejam naturais do local em causa – são as responsáveis por 85% dos casos de ameaça para as espécies, conforme explica a IUCN.

<> on July 18, 2010 in Polokwane, South Africa.

O leão é um dos animais ameaçados pelo ser humano.

Nos caranguejos, duas espécies estão debaixo de olho da IUCN: a Karstama balicum e a Karstama emdi, que só podem ser encontrados numa gruta em Bali, o que os torna muito raros. O turismo crescente da ilha indonésia e os rituais religiosos que têm lugar nessas caves puseram as espécies em perigo. De acordo com a instituição, estão já a ser estudadas estratégias apropriadas para enfrentar o problema.

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Karstama balicum é uma das espécies ameaçadas, por causa do turismo da Indonésia. Imagem: Coconuts Bali

Outra espécie destacada pela IUCN como estando em iminência de extinção é a do gato dourado africano. A par deste animal está o leão marinho da Nova Zelândia, posto em perigo devido a doenças, a modificações na cadeia alimentar e à captura acidental por pescadores.

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O gato dourado africano tem o dobro do tamanho de um gato doméstico e entrou da Red List. Imagem: Wikimedia Commons

Mas nem tudo são más notícias, embora Inger Andersen, um dos membros da instituição, tenha realçado que “o nosso mundo natural está a tornar-se cada vez mais vulnerável”. O trabalho efetuado com o lince ibérico, em Portugal e Espanha, é o mais notável: em 2002 existiam apenas 52 elementos desta espécie, mas uma década mais tarde o número já subiu para 156.

Foram muitos os fatores que contribuíram para esse sucesso: a equipa da IUCN conseguiu aumentar a população de coelhos – que representam o alimento mais caçado pelos linces -, monitorizar a caça ilegal e fazer acordos com os proprietários de terrenos em Portugal em Espanha, para que equipassem as terras com sistemas de conservação em troca de recompensas monetárias.

Iberian lynx Lila takes its first steps after being released on a farm near the village of Mazarambros near Toledo on April 24, 2015 part of an initiative to repopulate the endangered species. AFP PHOTO / PIERRE-PHILIPPE MARCOU        (Photo credit should read PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP/Getty Images)

A população do lince ibérico aumentou, graças aos esforços feitos por Portugal e Espanha.

“Mas o trabalho está longe de estar terminado”, ressalva Urs Breitenmoser, co-responsável pelo Grupo de Especialistas em Felinos da Comissão de Sobrevivência de Espécies. Um exemplo disso é a conservação do lobo-marinho. Esta espécie já tinha estado ameaçada duas vezes, nos séculos XIX e XX. Nos anos cinquenta havia apenas 250 lobos-marinhos de Guadalupe e, apesar de o número ser oitenta vezes maior em 2010 (com 20 mil indivíduos), continua dez vezes menor do que quando o Homem iniciou a sua caça intensiva.

CHARLOTTETOWN, CANADA - MARCH 27:  A Harp seal pup lies on an ice floe March 27, 2008 in the Gulf of Saint Lawrence in Canada. Canada's seal hunt is expected to start tomorrow and the government has said this year 275,000 harp seals can be harvested. Many animal protection organizations have condemned the Canadian Department of Fisheries and Oceans following its announcement of the 2008 commercial seal hunt quota .  (Photo by Joe Raedle/Getty Images)

O lobo marinho tem a situação mais controlada, embora a sua população continue muito abaixo da natural.

Mundo vegetal

São oitenta e quatro as orquídeas existentes na Ásia que estão em perigo de extinção, de acordo com os dados recolhidos pela IUCN. Este número representa 99% das espécies desta flor, muito utilizada para fins decorativos.

SINGAPORE - SEPTEMBER 11:  A detail shot of an orchid named in honour of Diana, Princess of Wales at Singapore Botanical Gardens ahead of a visit by Prince William, Duke of Cambridge and Catherine, Duchess of Cambridge on day 1 of their Diamond Jubilee tour on September 11, 2012 in Singapore.  Prince William, Duke of Cambridge and Catherine, Duchess of Cambridge are on a Diamond Jubilee Tour of the Far East taking in Singapore, Malaysia, the Solomon Islands and the tiny Pacific Island of Tuvalu.  (Photo by Chris Jackson/Getty Images)

As orquídeas, tão utilizadas na decoração, estão em vias de extinção.

O regulamento da Convention on International Tradde in Endangered Species (CITES) proíbe a exportação das orquídeas asiáticas, mas a iliteracia sobre este assunto provoca um enfraquecimento das estruturas de proteção e compromete o sucesso do programa. De qualquer modo, são as espécies selvagens as mais ameaçadas: veja-se o caso Paphiopedilum Lilás, uma flor exótica muito rara oriunda da China e Vietname cujo habitat está em degradação e que a produção hortícola está a destruir.

View of a "Paphiopedilum" orchid during the "Cali-Orchids 2011" exposition, on September 25, 2011, in Cali, department of Valle del Cauca, Colombia. The exhibition is composed of some 5000 plants, and has been qualified by the American Orchid Society as one of the ten best orchid expositions of the world. AFP PHOTO / Luis ROBAYO (Photo credit should read LUIS ROBAYO/AFP/Getty Images)

Paphiopedilum é uma orquídea muito rara.

As novas entradas na Red List (lista vermelha das espécies ameaçadas) vêm da Índia: quarenta e quatro plantas utilizadas na medicina tradicional estão ameaçadas pela destruição do habitat, que passou de selvagem a solo agrícola. Mas nem toda esta flora está posta em causa devido à ação humana: há uma planta venenosa da região dos Himalaias, e que também existe noutras zonas da Índia e Paquistão, que está ameaçada devido às avalanches.

Os estudos da IUCN determinaram que o território africano é o mais ameaçado no que toca à biodiversidade. A vida selvagem do oeste e centro de África está em perigo devido a perda de habitat, urbanização e expansão da exploração agrícola de uma forma insustentável.

De entre as espécies nativas destas regiões, 10% dos anfíbios, aves e mamíferos estão em perigo de desaparecer. Quantos aos peixes, a percentagem sobe para 17%.  Certas espécies têm menos de 100 indivíduos vivos em estado selvagem.