O relatório da audição de Carlos Costa enquanto personalidade indicada pelo Governo para liderar o Banco de Portugal não era mais do que a transcrição da própria audição. E, por isso, foi aprovado não só pelo PSD e CDS, como era de esperar, mas também pelo PCP. O Bloco de Esquerda não esteve presente na reunião da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças e os socialistas abstiveram-se da votação, confirmou o Observador junto de um membro da comissão do lado da maioria.

O Parlamento aprovou assim a nomeação de Carlos Costa para um segundo mandato como governador do Banco de Portugal, conforme tinha sido indicado pelo Governo. Com o aval formal do Parlamento, nome volta agora para o Governo que procederá à designação oficial.

O relatório, como o Observador constatou, não é mais do que a transcrição integral da audição de Carlos Costa que se realizou no último dia 12 de junho, na comissão parlamentar, por indicação do Executivo. No capítulo das conclusões, o deputado social-democrata Carlos Santos Silva, que esteve a cargo da redação do documento, escreve apenas que a “Assembleia da República procedeu à audição do Dr. Carlos da Silva Costa, indigitado para o cargo de Governador do Banco de Portugal”, nos termos da lei, e que “será dado conhecimento ao Governo”. Ou seja, sem tecer quaisquer comentários ou considerandos.

Por essa razão o PCP votou ao lado da maioria PSD/CDS, o PS absteve-se e o Bloco de Esquerda nem esteve presente na reunião da comissão desta tarde. Certo é que a audição e consequente aprovação do Parlamento não era fator decisivo para o Governo reconduzir ou não o governador do Banco de Portugal no cargo, uma vez que era apenas de caráter consultivo.