Afinal, o advogado Ricardo Sá Fernandes, que tinha ficado em terceiro lugar no círculo eleitoral do Porto nas primárias do Livre/Tempo de Avançar para as legislativas deste ano, vai ser cabeça de lista. Suspeitas de irregularidade nos votos que deram vitória a Daniel Mota levaram a queixas à comissão eleitoral que acabou por considerar votos inválidos e fazer a reorganização da lista: Daniel Mota passa agora para 11º lugar, na nova lista já ordenada com o critério da paridade.

A decisão foi tomada depois de a Comissão de Ética e Arbitragem ter recebido várias queixas sobre o processo eleitoral realizado no Porto, todas elas recaindo sobre os votos que deram vitória ao candidato Daniel Mota. Perante as suspeitas, a Comissão decidiu analisar o caso e optou pela recontagem dos votos, explica o Livre/Tempo de Avançar em comunicado.

Em causa está o facto de os 46 votos por correspondência que foram enviados através do círculo do Porto terem todos “a mesma hora de registo no posto de correios”, lê-se no comunicado. Ou seja, a situação insólita levantou dúvidas sobre a individualidade do voto e sobre o caminho que o voto terá feito até chegar à urna, que é, neste caso, a caixa postal.

“A Comissão de Ética e Arbitragem relembra que o voto é único, pessoal, direto, presencial, secreto e universal. Ainda, o voto é um ato não delegável. Por isso mesmo, torna-se crucial que nestas situações não existam quaisquer dúvidas acerca do caminho percorrido pelo boletim de voto, desde que preenchido e colocado no envelope até ao momento em que é depositado no correio”, escreve a comissão responsável pela decisão num comunicado enviado aos jornalistas.

Ao Observador, Filipa Vala, membro da comissão coordenadora do Livre/Tempo de Avançar confirmou o sucedido e acrescentou que as queixas “foram feitas no período de 32 horas em que as pessoas podem recorrer” daquilo que a comissão eleitoral publicou como sendo os resultados das primárias.

Assim, considerados inválidos os votos sobre os quais houve suspeitas, Daniel Mota que antes estava em primeiro passa para o 11.º lugar na lista ordenada com o critério da paridade (um homem, uma mulher), e Ricardo Sá Fernandes, que antes aparecia em terceiro, passa para o primeiro lugar, também em respeito pela regra de alternância entre candidatos e candidatas.

Os seis primeiros passam a ser os seguintes: Ricardo Sá Fernandes, Diana Barbosa, Jorge Morais, Mariana Topa, Rui Feijó e Manuela Juncal”.