De um lado, vai estar António Costa, de pé num palanque de acrílico colocado no meio da redação da TVI. Do outro, estará Judite Sousa, sentada de frente para ao secretário-geral do Partido Socialista (PS). A assistir, e também a participar, estarão 10 pessoas, das quais algumas vão colocar perguntas ao candidato a primeiro-ministro.

É nesta última parte que reside a grande novidade do formato escolhido pela estação de Queluz para entrevistar António Costa. O nome escolhido para a emissão é “Tenho uma pergunta para si”. Os cidadãos anónimos que vão estar hoje presentes no estúdio TVI foram selecionados após terem sido entrevistados para o programa “A Caminho das Legislativas“, transmitido na TVI 24 e conduzido pelos jornalistas Paulo Magalhães e Constança Cunha e Sá.

“Este modelo é mais interativo, mais próximo das pessoas”, diz ao Observador a jornalista Judite Sousa. “É um formato que faz todo o sentido em períodos eleitorais.”

Entrevistado para o Jornal da Uma da TVI enquanto almoçava, António Costa referiu que, fruto de ações de campanha, o PS já tem respondido a perguntas de cidadãos anónimos “em vários pontos do país”. Quanto ao formato do programa de quinta-feira à noite, o líder socialista disse que este “é muito importante”. “É fundamental que as pessoas possam fazer perguntas e que nós possamos responder e explicar as medidas.”

A emissão vai ter uma duração de 55 minutos, sendo que “cerca de 20 minutos”, explica António Prata, subdiretor de informação, vão estar reservados para António Costa ser entrevistado por Judite Sousa sem a intervenção dos cidadãos em estúdio. Mas a maior parte do programa vai mesmo incidir em perguntas lançadas diretamente pelas pessoas ao candidato socialista.

“Quando começámos a pensar este formato de entrevista, procurámos maneiras de encontrar pessoas, cidadãos anónimos, a quem recorreríamos para fazerem perguntas em estúdio a um candidato político. Então percebemos que podíamos falar com as pessoas que entrevistámos para o ‘A Caminho das Legislativas'”, disse ao Observador o António Prata.

Tal como acontece nesse programa, onde cada episódio é dedicado a um tema em particular, a entrevista vai ser divida por assuntos. Assim, os cidadãos anónimos que apareceram nas reportagens do ‘A Caminho das Legislativas’ vão colocar perguntas a António Costa sobre os temas abordados nas peças em que deram o seu testemunho. Saúde, fiscalidade, justiça e corrupção, pobreza e desemprego serão alguns dos temas abordados.

A seleção das pessoas que vão ser chamadas para colocar perguntas a António Costa vai ser feita pela jornalista Judite Sousa, que vai estar reunida com o grupo de 10 cidadãos a meio da tarde. “Pedimos a essas pessoas para nos enviarem duas sugestões de perguntas. Hoje essas pessoas, às 17h00, vão estar aqui e vão ver com a Judite Sousa quais é que vão ser feitas durante o programa”, avançou António Prata.

“A ideia é replicar o modelo que vamos usar hoje à noite numa entrevista com Pedro Passos Coelho”, referiu também o subdiretor de informação da estação de Queluz.

O Observador sabe que já chegou a estar marcada uma entrevista com um formato semelhante com o primeiro-ministro. No entanto, a emissão foi desmarcada com o acordo da TVI e do gabinete de Pedro Passos Coelho, uma vez que estava prevista para o mesmo dia em que a seleção de sub-21 de Portugal disputou a final do Euro com a Suécia.

Constança Cunha e Sá, comentadora da TVI, sublinhou no Jornal da Uma de quinta-feira que “esta entrevista é uma oportunidade única que António Costa tem para demonstrar aos portugueses e aos portugueses que estão em estúdio que tem soluções diferentes e melhores do que as do governo”.

Formato semelhante ao usado no Reino Unido

Embora António Prata admita que a direção de informação da TVI não tenha procurado seguir nenhum exemplo nacional ou internacional em particular, o formato escolhido para a entrevista desta noite pôde ser visto mais recentemente a propósito das eleições legislativas do Reino Unido, que aconteceram a 7 de abril deste ano.

Nesse contexto, três candidatos ao posto de primeiro-ministro (David Cameron, que acabou por vencer; Ed Miliband; Nick Clegg) responderam a perguntas colocadas por cidadãos anónimos em estúdio, em ocasiões distintas e de forma individual. A certo ponto — sensivelmente no último terço do programa — a emissão passava para uma entrevista convencional, em que cada candidato era entrevistado por um jornalista sem intervenção do público.

Sondagens favoráveis ao PS, mas pouco

Na véspera da entrevista na TVI, foram tornados públicos os resultados de uma sondagem da TVI, do Público e da TSF que favorecem, embora sem uma margem significativa, António Costa na corrida a São Bento.

Segundo a sondagem, o PS será o partido mais votado, com 37,6%. Segue-se a coligação Portugal À Frente (PAF), que junta o PSD com o CDS-PP, com 32,7%. Em terceiro surge a CDU com 11% e em quarto o Bloco de Esquerda com 6%.

Apesar de surgir em primeiro com 37,6% dos votos, este valor não chegaria para os socialistas governarem com maioria absoluta.

A sondagem também fez uma comparação das qualidades e traços de personalidade (competência, simpatia, se é trabalhador, entre outros) de António Costa e do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. O candidato socialista destacou-se em todos os parâmetros desta avaliação, sendo que a maior discrepância foi para o grau de sensibilidade social. Costa teve 37,4%, Passos Coelho ficou-se pelos 24,5%.