A Frelimo, partido no poder em Moçambique, anunciou, esta sexta-feira, eleições internas em todo país, um processo que irá, a partir de sábado eleger os representantes da força política ao nível das células, comités de círculos e comités de zona.

“Por decisão da Comissão Política e de acordo com os estatutos da Frelimo, a partir de 11 de julho até 29 de outubro, decorrerão em todo o país eleições internas”, informou o porta-voz da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), Damião José, durante uma conferência de imprensa em Maputo.

As eleições internas na Frelimo acontecem após a ascensão em março de Filipe Nyusi, atual chefe de Estado, à presidência do partido no poder em Moçambique, depois de uma saída polémica de Armando Guebuza, que exerceu o cargo durante dez anos.

De acordo com Damião José, as eleições internas da Frelimo vão respeitar três fases, nomeadamente a eleição dos representantes do partido ao nível das células, entre 11 de julho e 30 de agosto, dos comités de círculos, entre 5 de setembro e 4 de outubro, e, por fim, ao nível dos comités de zona, entre 10 e 29 de outubro.

“Na Frelimo, as eleições internas são um momento de festa”, sublinhou Damião José, acrescentando que no seu partido o processo eleitoral interno não é “uma miragem e muito menos uma encenação teatral como aquela que há dias os moçambicanos tiveram oportunidade de ver”, em alusão às recentes celebrações do 35.º aniversário do Destacamento Feminino da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), maior partido da oposição.

A Frelimo, no poder há 40 anos, declara possuir mais de quatro mil membros em todo país, divididos em 343.220 células, 13.921 comités de círculos e 393 comités de zona, segundo dados divulgados hoje pelo porta-voz.

Ainda no quadro da agenda interna da Frelimo, a Organização da Mulher Moçambicana (OMM), outra organização ligada ao partido, anunciou na quarta-feira que a antiga primeira-dama moçambicana Maria de Luz Guebuza vai continuar na liderança da estrutura até ao próximo congresso, a ser realizado em data a indicar.

As decisões internas da Frelimo são anunciadas num momento em que o país vive um clima de tensão política e militar, após um conflito na região centro do país que durou 17 meses até à assinatura do Acordo de Cessação de Hostilidades, a 5 de setembro de 2014, entre a Renamo e o Governo, pouco antes das eleições gerais de 15 de outubro último, cujos resultados a oposição não reconhece.

O líder do maior partido da oposição, Afonso Dhlakama, ameaçou recentemente paralisar novamente a principal estrada que liga o sul e o norte de Moçambique (N1), além de expulsar administradores do Governo, assegurando que não precisará de usar a força para o efeito.