Mais um episódio da série “Marinho e Pinto contra Eurico Figueiredo”. O primeiro ficou marcado pelas atribuladas eleições para o Conselho Nacional do PDR. O segundo passou-se à volta das queixas da oposição interna, que acusava o líder do partido de fazer tudo para impedir a impugnação daquelas eleições. Agora, na season finale, chegou o epílogo: Ivone Lemos, ex-número dois de Eurico Figueiredo, e outros quatro apoiantes do antigo militante socialista, decidiram pedir a demissão. Na hora de bater com porta, a consultora imobiliária não poupou nas críticas ao partido e acusou o PDR de se ter transformado num “restaurante” com um “mau chef” – e um staff não muito melhor -, que “não tardará a fechar portas”.

Em causa, está, mais uma vez, a tentativa de impugnação das eleições para o Conselho Nacional. Como contou ao Observador em julho, Ivone Lemos e outros membros do partido tentaram fazer chegar à direção do PDR um pedido de impugnação das eleições para o Conselho Nacional. Mas sem sucesso: enviaram cartas com aviso de receção, escreveram vários emails e insistiram e insistiram por telefone. De nada lhes valeu.

Na altura, confrontado com estas queixas, Marinho e Pinho desdramatizou a situação e prontificou-se a receber em mãos a carta da oposição. O assunto parecia resolvido, não fosse um pormenor: o Conselho Jurisdicional do partido, diz Ivone Lemos, ainda não foi constituído, o que significa que, sendo este o órgão responsável por se pronunciar sobre estas matérias, o pedido de impugnação continua sem ser analisado. E os telemóveis voltaram a desligar-se, queixa-se a consultora. Existe ainda um outro pedido de impugnação, assinado por outros membros do partido, que nunca chegou a ser recebido pela direção do PDR, acrescenta, ainda, Ivone Lemos.

Na carta de demissão que agora entregou ao partido, que fez também chegar ao Observador, Ivone Lemos garante: não há nada que mais se arrependa na vida do que ter pertencido ao partido fundado por Marinho e Pinto. “O PDR é [a coisa que] seguramente a que mais me envergonha e me arrependo. Tão novo e consegue este partido reunir o pior dos dois mundos: todos os vícios dos grandes partidos, nenhuma das suas qualidades!”.

A ex-número dois de Eurico Figueiredo explica ainda que sai depois de ter tentado, sem sucesso, “consertar o que este partido de errado fez”, e termina deixando ainda mais críticas à liderança do partido: “Este partido é assim uma espécie de restaurante com prato do dia em que, segundo a criatividade do chef, as regras/ pratos do dia mudam diariamente, as receitas são apelativas, mas muito mal confecionadas, dia após dia. (…) Um logro e com tão mau chef, este restaurante não tardará a fechar portas. Aponto que lá para meados de outubro depois de fechar a silly season”, escreve Ivone Lemos.

O artigo foi corrigido com um esclarecimento adicional de Ivone Lemos