As petrolíferas aumentaram a margem que ganham na venda de gasóleo nos primeiros sete meses do ano. O relatório mensal sobre o mercado de combustíveis diz que entre janeiro e julho, a margem bruta praticada no preço médio antes de impostos subiu 1,6 cêntimos por litro de gasóleo, não obstante este período ter sido marcado pela entrada em vigor, no mês de abril, da lei que obriga as petrolíferas a disponibilizar produtos low cost, ou seja, de baixo custo.

A margem bruta das empresas é calculada pela Entidade Nacional do Mercado de Combustíveis (ENMC) a partir da diferença entre o preço antes de impostos praticado no mercado nacional e a cotação internacional do gasóleo. As datas de referência para este cálculo são 5 de janeiro e 31 de julho.

Já na gasolina, esta tendência não se repetiu. A margem bruta na venda deste produto registou mesmo uma ligeira queda de 0,2 cêntimos no preço antes de impostos de cada litro vendido. No entanto, o gasóleo é de longe o principal produto das petrolíferas, representando cerca de 80% das vendas de combustíveis rodoviários.

As contas da ENMC apontam para uma margem bruta de 19,4 cêntimos em cada litro de gasóleo e de 15,4 cêntimos no gasolina. Esta margem representa o ganho das empresas antes de deduzidos os custos.

Esta evolução parece indiciar que a imposição de venda de produtos low cost às petroliferas, acabou por não ter um impacto positivo no mercado nacional, com uma descida generalizada dos preços à custa da perda de margem das petrolíferas, pelo menos a médio prazo.  Fontes da indústria alertam contudo para o facto de a comparação entre janeiro e julho ignorar o efeito da incorporação de biocombustível no gasóleo que passou de 5,5% para 7,5% nesse período, diminuindo a margem das empresas.

No curto prazo, e considerando que a lei entrou em vigor em meados de abril, até houve uma resposta positiva com a queda das margens praticadas, mais acentuada no gasóleo. Por outro lado, o aumento do consumo de combustíveis poderá ter contrariado um pouco o efeito do low-cost, com as petrolíferas a aproveitarem a maior procura para acomodar margens mais altas, num mercado onde o lucro por unidade (litro) está muito esmagado.

Na comparação europeia, é a gasolina que fica pior no retrato. Portugal tem a segunda gasolina mais cara da União Europeia antes de impostos, 11 cêntimos mais cara que a média ponderada. O gasóleo português compara melhor. Em julho, o diesel era o sétimo mais caro e estava 3,4 cêntimos acima do preço médio europeu.

Os preços finais portugueses são mais competitivos, porque apesar do aumento do imposto petrolífero este ano, a carga fiscal portuguesa sobre os combustíveis ainda não é das mais altas na Europa.