A ministra das Finanças desvalorizou o impacto de um eventual adiamento da venda do Novo Banco no financiamento do Estado. Maria Luís Albuquerque, que falava aos jornalistas esta sexta-feira no final de uma reunião do Ecofin, lembrou a estratégia seguida pelo governo de manter um volume de depósitos – reservas financeiras – confortável.

Estes excedentes do Estado, que a ministra comparou no passado a “cofres cheios”, dão margem para acomodar qualquer matéria imprevista. “Não temos razão para estarmos preocupados. Se eventualmente não viesse a ser amortizado o empréstimo este ano — a venda do Novo Banco permitiria reembolsar os 3900 milhões emprestados ao Fundo de Resolução –, não causaria preocupação particular”.

A ministra respondia a perguntas relativas a uma nota da UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) que alertava para a possibilidade do Estado ter de emitir mais dívida, caso não se concretize a venda do Novo Banco a privados. Os técnicos do parlamento também admitiam o recurso aos depósitos do Estado para assegurar as necessidades financeiras de 2015.

Segundo a UTAO, as necessidades de financiamento previstas no Orçamento para este ano já foram ultrapassadas e o governo estava a contar com o reembolso do empréstimo feito ao Fundo de Resolução, e que foi usado para recapitalizar o Novo Banco, para assegurar o cumprimento dos limites de endividamento.

O cenário de adiamento da alienação do Novo Banco para depois das eleições foi colocado em cima da mesa por vários jornais, que antecipam o fracasso do processo de negociações entre o Banco de Portugal e a Fosun, o segundo grupo chinês chamado a negociar depois do fim do processo com a Anbang.

Maria Luís Albuquerque não quis comentar este cenário, que para já não é confirmado pelo Banco de Portugal, mas assegura que um aumento das necessidades de financiamento – resultante do adiamento da venda do Novo Banco – é “perfeitamente acomodável na nossa estratégia de reservas”.