O seu filho ou filha adolescente verifica o telemóvel de forma recorrente, fica sem dormir ou dorme pouco porque passa parte da noite a mandar mensagens ou deixa de fazer as tarefas que lhe estão atribuídas por causa deste hábito?

Enviar mensagens pode estar em vias de se tornar um comportamento compulsivo, refere um estudo publicado pela Psychology of Popular Media Culture da Associação Americana de Psicologia citado pelo The New York  Times.

Os adolescentes enviam e recebem, em média 167 mensagens por dia, refere a investigação. A troca de mensagens é o meio privilegiado de comunicação entre este grupo etário, facto referido por outros estudos já realizados e que esta nova pesquisa também confirma. Mas para além de poder ser considerado um hábito geracional onde se deve traçar linha de demarcação entre uma forma popular de comunicar e um problema?

Os problemas podem surgir quando este comportamento se torna num hábito compulsivo, com características comportamentais semelhantes ao dos viciados no jogo. Dos 400 adolescentes que participaram no estudo – 211 estudantes do 8º ano e 192 estudantes do 11º ano – muitos apresentavam traços comportamentais comuns aos jogadores compulsivos: dormiam pouco, sentiam dificuldades quando tentavam diminuir a quantidade de mensagens enviadas e mentiam para ocultar o tempo realmente dedicado a mandar SMS.

Os autores do estudo referem também que existe uma correlação entre o tempo se passa a mandar mensagens e a fraca performance escolar, especialmente no caso das raparigas. E porquê?

O  comportamento compulsivo não tem só a ver com o número de  mensagens trocadas  entre adolescentes.  Que tipo relação têm com o telemóvel? Sentem ansiedade quando não estão com ele? Quando se sentam para jantar com a família, sentem necessidade de o verificarem? Precisam de olhar para o telemóvel a intervalos regulares, mesmo que  não precisem de responder a nenhuma mensagem?”, perguntas colocadas por  Kelly M. Lister-Landman, uma das autoras principais do estudo.

A resposta a estas questões indica que, em geral, as raparigas mandam mensagens de forma mais compulsiva que os rapazes. E estes, ao contrário das raparigas, correm um risco menor de serem afetados academicamente por comportamentos compulsivos relacionados com envio de mensagens.

Como pode ajudar a sua filho ou filho adolescente a moderar o seu comportamento em relação a esta forma de comunicação? A solução é insistir para que o seu filho ou filha desligue o telefone, ou pelo menos que fique longe dele enquanto estuda ou faz os trabalhos de casa.  Outra alternativa é criar zona ou divisões da casa “livres de telemóvel”. Parece complicado? Experimentar começar por momentos “livres de telemóvel”, como a hora de jantar ou deitar, podem ser opções.