O advogado de José Maria Ricciardi, Pedro Reis, garante que o ex-administrador do Grupo Espírito Santo (GES) não tinha qualquer “conhecimento de irregularidades praticadas no BES Angola nos exercícios anteriores a 2014″, como sugere o novo processo de contra-ordenação noticiado esta sexta-feira. O representante legal de Ricciardi acusa a instituição liderada por Carlos Costa de “arvorar em acusador e justiceiro” quando está a ter uma “gestão política dos processos contra-ordenacionais, visando camuflar as responsabilidades que lhe são atribuíveis“.

Essas responsabilidades são, como se lê num comunicado publicado nesta sexta-feira, estão ligadas à forma como o Banco de Portugal está “a esconder que estava ao seu alcance determinar o afastamento do Dr. Ricardo Salgado, desde dezembro de 2013, conforme o meu representado preconizava“. Por outras palavras, na opinião do advogado Pedro Reis, “não é legítimo” que o Banco de Portugal procure “atingir todos os membros da Comissão Executiva do BES por igual, relativamente a uma área de atuação em que as responsabilidades que lhe são inerentes não podem ser silenciadas“.

Pedro Reis procura deixar claro que é “absolutamente falso que o meu representado tivesse tido conhecimento de irregularidades praticadas no BESA nos exercícios anteriores a 2014″. O advogado recorda que “o BESA tinha órgãos sociais próprios e entidades fiscalizadoras a quem competia a responsabilidade da avaliação das boas práticas de gestão bancária” e, do ponto de vista de Ricciardi, “os dados oficiais transmitidos através dos órgãos institucionais do BESA não suscitavam, em termos objetivos, quaisquer dúvidas ou incertezas sobre a legalidade, rentabilidade e integridade da governance“.

O advogado insiste: não cabia a Ricciardi “o pelouro do relacionamento com o BESA nem foi alguma vez chamado a intervir na atividade dessa subsidiária” e o primo de Salgado “não participou em nenhuma Comissão Executiva do BES desde abril de 2013 até junho de 2014 que aprovasse, reforçasse ou renovasse qualquer linha de crédito ao BESA”.

Já o Banco de Portugal, que Pedro Reis acusa de agora se “arvorar em acusador e justiceiro”, “sabia há muito que não era possível proceder no quadro interno do BES a uma avaliação de risco sobre as linhas de crédito concedidas ao BESA” porque estes dados eram “considerados confidenciais pelo Banco Nacional de Angola, tendo o Banco de Portugal reconhecido a legitimidade desta instituição”.