Passaram cinco dias desde que o terror invadiu as ruas de Paris. Foram pelo menos 129 mortos, 352 feridos e sete ataques terroristas. A cronologia do terror está contada aqui e tudo o que se sabia na segunda-feira sobre os terroristas e suspeitos aqui. Entretanto, o presidente francês François Hollande voltou a falar à nação, num discurso marcado pelo pedido de ajuda formal à União Europeia e a evocação pioneira da cláusula de proteção mútua prevista no Tratado de Lisboa, que prevê a colaboração de todos os Estados-membros em caso de ataque. 

O que já sabemos dos suspeitos

O homem mais procurado da Europa, Salah Abdeslam, continua a monte. É um dos dois irmãos que a polícia confirmou estar envolvido nos ataques de sexta-feira. Nascido em Bruxelas, em 1989, alugou um Volkswagen Polo preto, que utilizou para ir para a sala de espetáculos Bataclan e que deixou abandonado no mesmo local, depois dos atentados. Na madrugada de sábado, Salah Abdeslam cruzou a fronteira entre a França e a Bélgica ao volante de um Volkswagen Golf cinzento e foi revistado pelas autoridades francesas. Porque ainda não se sabia que era suspeito, não foi detido. É o único oficialmente em fuga, apesar de terem surgido algumas notícias que diziam que estaria acompanhado. 

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O irmão Salah, Ibrahim Abdeslam, morreu durante os atentados de sexta-feira: fez-se explodir junto ao restaurante Comptoir Voltaire. Foi ele quem alugou o outro carro, um Seat Leon, que foi utilizado nos atentados e abandonado nos subúrbios de Paris com Kalashnikovs dentro. O terceiro irmão, Mohamed Abdeslam, foi detido no sábado por suspeita de envolvimento, mas foi libertado na segunda-feira, tendo emitido uma declaração onde afirmava que não fazia ideia de que os irmãos se tinham radicalizado. Na terça-feira, pediu ao irmão em fuga que se entregasse. 

Na terça-feira, os media franceses avançaram que Salah tinha alugado dois quartos perto de Paris, tendo utilizado um cartão de crédito para pagar a reserva. A polícia confirmou que havia provas de que o terrorista não estava sozinho. Crê-se que estivesse acompanhado de outras duas pessoas. 

O primeiro suspeito a ser identificado foi o parisiense Ismail Mostefai, 29 anos, cuja mãe nasceu em Portugal, e que se fez explodir no Bataclan. Sabe-se que viajava frequentemente para a Bélgica, que trabalhava numa padaria e tinha registo criminal de oito condenações, ocorridas entre 2004 e 2010. Mas nunca tinha estado preso. A investigação está a tentar apurar se viajou para a Síria no último ano. 

Bilal Hadfi é outro dos terroristas suicidas, que se fez explodir perto da porta H do Stade de France. Tinha 20 anos, vivia na Bélgica e treinou com o Estado Islâmico, na Síria. Já Ahmad Al Mohammad, que também se fez explodir perto do estádio onde decorria o jogo particular entre França e Alemanha, era sírio, tinha 25 anos, e junto a ele estava um passaporte envolvido em polémica. Apesar de oficialmente o documento pertencer a um refugiado que pediu asilo na Grécia, há suspeitas de que seja falso e pertença a um soldado morto na Síria há dois meses. A procuradoria de Paris avançou que as impressões digitais recolhidas coincidem mesmo com as do sírio que chegou à Grécia no mês anterior.

Com 28 anos, Sami Amimour, também foi um dos terroristas que se fez explodir no Bataclan. Já era conhecido dos serviços de inteligência franceses e tinha sido acusado de ofensivas terroristas. Tinha sido colocado sob supervisão judicial, mas conseguiu fugir. Estava a ser procurado pelas autoridades. Três familiares de Sami foram detidos para interrogatório na terça-feira. 

A polícia crê que o cérebro da organização tenha sido Abdelhamid Abaaoud, um belga de origem marroquina, que vivia no bairro de Bruxelas Molenbeek, de onde liderava uma célula terrorista. Em janeiro, a casa foi invadida pelas autoridades, mas o terrorista conseguiu fugir para a Síria. É o segundo suspeito em fuga. 

O que sabemos da operação em Saint-Denis

O cenário de guerra desta manhã de quarta-feira em Saint-Denis, a norte de Paris, começou às 3h25 em Portugal. Com a suspeita de que o cérebro dos atentados, Abdelhamid Abaaoud, estava na área, as autoridades entraram em ação, depois de os serviços secretos terem intercetado chamadas telefónicas que faziam crer que era aquela a localização do suspeito.

Durante mais de quatro horas, ouviram-se vários disparos e pelo menos sete explosões. Duas pessoas morreram – uma mulher fez-se explodir e outro morreu na sequência de uma granada. Pelo menos cinco pessoas fiaram feridas, incluindo agentes da força de polícia. No final da operação, sete pessoas foram detidas: três estavam dentro de um apartamento, duas esconderam-se nos escombros do edifício e um casal que deu guarida aos suspeitos. Ainda não se conhece a identidade de nenhum dos suspeitos. 

Com sete mortos, sete suspeitos detidos e um outro oficialmente em fuga são pelo menos 15 as pessoas identificadas com ligações aos atentados de 13 de novembro em Paris. 

Na terça-feira à noite, o jogo de futebol entre as seleções da Alemanha e Holanda, em Hannover, foi cancelado e foram detidas três pessoas sob suspeita de estarem relacionados com os ataques: Kamal, de 29 anos, as duas parceiras Lava M, 28 anos, e Didem A, de 23, segundo o britânico Telegraph. As detenções ocorreram depois de um empregado de um supermercado local ter revelado que tinha visto um homem que lhe pareceu ser Salah Abdeslam, mas ainda não se sabe se era mesmo o suspeito ou se o empregado se confundiu.

O que falta saber

 Abdelhamid Abaaoud: Onde está aquele que é considerado o cabecilha dos atentados de 13 de novembro? É uma das duas pessoas que estava com Salah Abdeslam nos quartos perto de Paris? Ou nunca saiu da Síria, para onde fugiu depois de as autoridades francesas terem emitido um mandado de captura internacional?

— Salah Abdeslam: Onde está o homem mais procurado do momento e o único que fugiu das autoridades na passada sexta-feira? É um dos detidos esta manhã no bairro de Saint-Denis? Foi para Espanha ou Itália, como chegou a ser noticiado? Ou era mesmo o homem que o empregado de um supermercado na Alemanha disse ter reconhecido? 

— Paris: Como chegaram todos estes suspeitos a França? Só Ismail Mostefai vivia em Paris. Os restantes viviam na Bélgica, em Bruxelas. Estariam sinalizados pelas autoridades como ligados ao Estado Islâmico? Estiveram mesmo na Síria a receber treino? O passaporte sírio encontrado junto ao corpo de um dos terroristas pertencia a um refugiado que entrou na ilha grega de Leros a 3 de outubro. Contudo, os serviços de inteligência norte-americanos já divulgaram que o passaporte era falso e que pertencia a um soldado já morto. Porque é que um terrorista que vai cometer um atentado suicida se faz acompanhar de um passaporte falso?

— Quem são os sete suspeitos detidos em Saint-Denis? São já 15 as pessoas que estão ligadas aos atentados de 13 de novembro, em Paris. Quem são estes homens e quantos mais estarão relacionados com a morte de 129 pessoas? Os serviços de inteligência belgas avançaram que poderiam estar mais de 20 pessoas de uma célula terrorista ligadas aos atentados.