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Numa Europa mergulhada num clima de convulsão política, Portugal parecia um paraíso para os dois partidos do sistema… Até aparecer Catarina Martins“. Assim começa o retrato da porta-voz do Bloco de Esquerda pela lente do Politico. O site noticioso especializado em política preparou uma lista das 28 pessoas, de 28 países, que estão a moldar, a abanar e a agitar a Europa e a mulher que “levou Bloco de Esquerda ao terceiro lugar nas eleições de outubro, com um número recorde de parlamentares” figura no 27º lugar.

O Politico destaca, precisamente, o facto de Catarina Martins, sendo “a única mulher a liderar um grande partido”, ter conseguido levar a extrema-esquerda para o poder pela primeira vez em 40 anos de democracia. O caminho percorrido pela porta-voz bloquista foi longo e obrigou a cedências. Foram-se as exigências “mais radicais”, como a saída da NATO e o fim do Tratado Orçamental, mas ficaram os compromissos possíveis com socialistas e comunistas para um Governo antiausteridade. “Ainda assim”, mesmo sem as exigências mais radicais, “o sucesso de Martins enviou calafrios” pela espinha dorsal da Europa, argumenta o site noticioso.

Com 42 anos, a atriz com propensão para jeans e blusas vermelhas abalou a cena política de Lisboa dominada por homens de terno“, combinando um “discurso claro” para atrair eleitores do centro e uma boa dose de “retórica” para atrair ativistas, escreve o Politico.

Ao lado de Marisa Matias, candidata presidencial, e Mariana Mortágua, deputada em destaque na comissão de inquérito ao Caso do BES, Catarina Martins reuniu um núcleo duro de mulheres que deram um novo rosto ao Bloco de Esquerda. Ao Político, a porta-voz bloquista explica que sempre lutou “por conseguir uma maior visibilidade das mulheres na esfera pública. É a única forma de obter igualdade”, argumenta. “Descobri que as mulheres se deixaram envolver realmente pelo facto de ser uma mulher a liderar a campanha [nas legislativas]. Isso criou uma proximidade que nos permitiu discutir certos temas e colocar mais assuntos na agenda política”.

A terminar, o Politico faz três perguntas de resposta rápida à coordenadora bloquista: Quem é a figura histórica que mais admira, quais são as três coisas que leva para qualquer lugar e que conselho tem para a Europa. A figura, Amílcar Cabral, líder da guerrilha que liderou a luta contra o domínio colonial português em Cabo Verde e na Guiné-Bissau. Os objetos, um livro, um par de sapatilhas e uma mochila. O conselho para a Europa: “Nós inventámos o Estado Social. Temos de o reinventar“.

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