O presidente do Governo espanhol alertou, este domingo, para a possibilidade de um acordo tripartido PSOE-Ciudadanos-Podemos para evitar que o PP governe, considerando que tal seria “um erro e algo não muito de acordo com os parâmetros democráticos”. Neste contexto, apelou aos espanhóis que, nas eleições do próximo dia 20, tenham em conta as declarações nesse sentido que têm vindo a ser feitas por alguns dos candidatos.

De acordo com a agência Efe, que cita declarações aos jornalistas feitas por Mariano Rajoy à entrada para a cerimónia institucional que assinala o Dia da Constituição, o governante defende que deve formar Governo o partido que for mais votado no sufrágio. Recordando que foi sempre assim que aconteceu em Espanha, o chefe do executivo reiterou o seu compromisso de que, caso não saia vencedor das eleições, renunciará a formar governo.

Mariano Rajoy pronunciou-se ainda sobre a Constituição espanhola, considerando que goza “de muito boa saúde”, mas ainda assim assegurou que não põe de parte a possibilidade de uma reforma e estaria disposto a estudar propostas que lhe fossem apresentadas nesse sentido.

Contudo, Rajoy esclareceu que não considera que uma eventual reforma constitucional como uma “prioridade”, afirmando que “toda a gente” fala em alterar a Carta Magna, numa alusão às várias forças políticas, mas “todos têm o mesmo problema, que é não saber o que querem reformar”.

Para o chefe de Governo, as “prioridades” passam por apostar na criação de emprego, assegurar as garantias de bem-estar da população através das pensões e dos serviços essenciais, manter a unidade de Espanha e lutar contra o terrorismo.

Numa entrevista ao programa “A Sexta Noite”, na noite de sábado, Mariano Rajoy afirmou-se ainda convencido que um dia será uma mulher a chefiar o executivo espanhol, mas disse preferir que tal ocorra depois de concluir o seu segundo mandato.

Em linha com as declarações da vice-presidente Soraya Sáenz de Saantamaría, que numa entrevista antecipou que chegaria o dia em que uma mulher chegaria à liderança, Rajoy, quanto questionado sobre se tal poderia ocorrer após as eleições do dia 20 por entrega do testemunho à vice-presidente, precisou que gostaria que a chegada de uma mulher ao Palácio da Moncloa ocorresse após o seu segundo mandato.

“É por isso que me candidato”, explicou, considerando que não faz sentido entrar em especulações a longo prazo sobre futuros candidatos porque o importante é centrar-se nos assuntos que interessam aos cidadãos.

Questionado sobre se demitirá da presidência do PP caso não vença as próximas eleições, Rajoy garantiu não estar a pensar nessa questão, mas sim focado em tentar vencer o sufrágio.

A este propósito, o chefe de Governo assegurou que o seu partido concorre às eleições “com candidaturas totalmente limpas” e sublinhou que fará “o impossível para evitar mais casos de corrupção”.

Admitindo que o tema da corrupção o fez “sofrer muito”, Mariano Rajoy assegurou que o seu partido afastou todos os que “fizeram o que não deviam”.

Contudo, negou que os últimos quatro anos tenham sido os mais afetados pela corrupção, mas antes “os quatro anos em que mais se publicitou a corrupção de anos passados”.

Mariano Rajoy garantiu ainda que o seu Governo continuará, como até agora, a dar “liberdade e autonomia totais” a juízes, polícia, guarda civil e autoridade tributária” para que “façam o seu trabalho” de investigação e julgamento da corrupção de forma a que “os culpados paguem por isso”.

No programa “A Sexta Noite”, Rajoy apelo ainda ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na véspera das eleições naquele país, para que respeite a democracia, a liberdade e os direitos humanos.