A maioria dos americanos defende que o seu Governo deve enviar tropas terrestres para combater o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, conta a CNN. Uma sondagem desenvolvida pelo canal de televisão, juntamente com a ORC, diz que 53% dos americanos entende que os ataques aéreos não são suficientes, enquanto seis em cada dez norte-americanos diz estar insatisfeito com a forma como Barack Obama tem liderado este tópico — 68% considera que o exército daquele país não tem sido agressivo o suficiente.

Embora se registe uma descida em relação a outubro (67%), 60% dos inquiridos afirma a intervenção militar naqueles dois países tem corrido mal. Mais interessante é, porventura, analisar as diferentes perceções de republicanos e democratas. Enquanto 57% dos democratas e independentes com a mesma afinidade afirmam estar satisfeitos com o desenrolar dos acontecimentos (43% em outubro), apenas 19% dos republicanos e independentes republicanos têm a mesma opinião.

MAIS ALGUNS NÚMEROS:

— A ação militar contra o Estado Islâmico não está a ser agressiva o suficiente: democratas (52%), independentes (66%), republicanos (90%).

— Os EUA deveriam enviar tropas terrestres para Síria e Iraque: democratas (36%), republicanos (69%).

— Os EUA devem assumir o papel de liderança nos problemas globais: 45% (em setembro registou-se 39%).

Resta referir que para esta sondagem a CNN/ORC inquiriu 1.020 norte-americanos adultos via telefone, entre 27 de novembro e 1 de dezembro. A margem de erro situa-se nos 3%.

BARACK OBAMA PROMETE MAIS, REPUBLICANOS CHAMAM “DISTRAÇÃO”

O presidente norte-americano prometeu na noite de domingo, naquele que foi o seu terceiro discurso na sala oval da Casa Branca, que haverá uma intensificação de ataques ao Estado Islâmico e que a crescente coligação internacional terá resultados, conta o New York Times.

Embora houvesse a expectativa e/ou possibilidade de um anúncio de uma mudança de estratégica, Obama preferiu olhar para dentro: “Não podemos virar-nos uns contra os outros e deixar que esta luta fique definida como um conflito entre América e Islão. Isso não quer dizer que neguemos o facto de que uma ideologia extremista tenha alastrado em comunidades muçulmanas. Este é o problema real que os muçulmanos devem confrontar, sem desculpas”, disse. Perante tal discurso, os líderes republicanos consideraram as palavras de Obama uma mão cheia de nada. Paul Ryan diz ter sido uma “desilusão”, por não ter sido anunciado um “novo plano”. O presidente da Câmara dos Representantes afirmou que não passou de uma “distração” pela “política falhada”.

Na antevisão da declaração do presidente norte-americano, o Guardian analisou os discursos de Obama entre janeiro de 2014 e novembro de 2015. A ideia era perceber a evolução da gravidade no tom e a forma como foi abordando o assunto. Numa declaração em janeiro de 2014, Obama comparou o Estado Islâmico a uma equipa de juniores dos Lakers. “A analogia que, às vezes, usamos aqui, e que considero ser apropriada, é: se uma equipa de juniores vestisse os equipamentos dos Lakers, não faria deles Kobe Bryant”. Os Lakers são uma das grande equipas da NBA, enquanto Bryant é porventura o sucessor de Michael Jordan na história daquele desporto.

Em maio de 2014, o assunto já era mais sério, embora não merecesse subir ao nível da guerra no Iraque. “Temos de mudar a nossa estratégia anti-terrorista.” No dia 8 de agosto de 2014, os Estados Unidos começaram a bombardear guerrilheiros do Estado Islâmico em Irbil, a nordeste de Bagdade. Três dias depois, Obama mostrava-se satisfeito pelo “passo em frente prometedor” que representava a nomeação de Haider al-Abadi como primeiro-ministro iraquiano. No dia 19 de agosto, surgiu o vídeo da decapitação do jornalista norte-americano James Foley, pelas mãos do Estado Islâmico. No dia 28 desse mês, surgiu uma frase alarmante de Obama: “Ainda não temos uma estratégia.”

No dia 10 de setembro, Obama sugeria um plano para diminuir e, eventualmente, destruir o Estado Islâmico. Seguiram-se várias intervenções públicas do presidente norte-americano, mas nenhuma, até ali, colocaria os termos do problema tão preto no branco: “Ainda não temos uma estratégia total”, disse  a 8 de junho de 2015. Ou seja, quase um ano e meio depois da tal analogia com Bryant e os Lakers. O melhor mesmo é ver aqui a cronologia e a análise do Guardian.