O presidente da Câmara de Óbidos acredita que a candidatura da vila à rede de cidades literárias poderá ter um desfecho positivo, nos resultados da avaliação da UNESCO, que serão conhecidos hoje.

“Ainda [no início do mês] falei com a gestora [de candidaturas] e confirmei que nem nos foi pedido que retirássemos a candidatura, nem qualquer esclarecimento, o que, conhecendo a forma de trabalhar da UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura], nos parece um bom sinal”, disse à agência Lusa o presidente da câmara de Óbidos, Humberto Marques.

A candidatura de Óbidos à rede de cidades literárias da Unesco foi apresentada em junho e assenta, entre outros fatores, no projeto “Vila Literária”, que está a ser desenvolvido na vila desde 2011, numa parceria entre a autarquia e José Pinho, da editora Ler Devagar.

O projeto resultou na criação de uma dezena de livrarias em “lugares improváveis”, entre os quais uma igreja, um mercado biológico, uma antiga adega e uma escola primária desativada.

Geridas em conjunto com a câmara foram igualmente abertas livrarias em dois dos museus da vila (Municipal e Abílio), na galeria NovaOgiva e no Centro de Design de Interiores (CDI).

“O facto de termos uma estratégia de inovação e criatividade muito centrada na literatura e de ter uma rede de livrarias no centro histórico, foi um dos sustentáculos da candidatura”, disse Humberto Marques.

A realização do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, que decorreu na vila de 15 a 25 de outubro, foi um dos aspetos referidos na candidatura mas “os impactos da sua realização, movimentando centenas de autores e atraindo cerca de 30 mil pessoas, não terão peso no processo, que já tinha sido entregue à UNESCO anteriormente”, lembrou o presidente.

Ainda assim, Óbidos, apesar de ser apenas uma vila, poderá vir a ser a 12.ª classificada na lista da organização, ao lado de Edimburgo (Escócia), Melbourne (Austrália), Iowa City (Estados Unidos da América), Dublin (Irlanda) Reiquijavique (Islândia), Norwich (Inglaterra), Cracóvia (Polónia), Heidelberg (Alemanha), Dunedin (Nova Zelândia), Granada ( Espanha) e Praga (República Checa).

“Se formos escolhidos será uma chancela importante para Óbidos, dando-lhe mais visibilidade e impacto ao nível turístico o que será uma mais-valia do ponto de vista económico e de desenvolvimento”, considera Humberto Marques.

Por outro lado, “aumenta a nossa responsabilidade na manutenção desta estratégia que seguramente ficaremos ainda mais empenhados em melhorar”, acrescentou.