A polícia viu, seguiu, observou, investigou, fez o que teve de fazer e soube que Salah Abdeslam estava ali, na Bélgica, no bairro de Molenbeek, em casa. Nem 48 horas depois de os atentados de Paris matarem 130 pessoas, o francês de origem marroquina era localizado. Quase sem querer (já lá vamos), mas era e as autoridades souberam que na noite de 15 para 16 de novembro, entre domingo e segunda-feira, o suspeito ia dormir em casa. Podiam tê-lo detido e evitado que, hoje, Abdeslam seja um dos terroristas mais procurados na Europa. Mas não o fizeram porque era de noite.

Ou melhor, por culpa da lei. O Código Penal belga dita que não possam ocorrer operações policiais entre as 23h e as 5h, salvo situações de “incêndio” ou “flagrante delito”, escreve o La Libre, um jornal belga. Na altura em que o localizaram e tinham informações que davam conta da presença de Abdeslam, 26 anos, num apartamento em Molenbeek, bairro nos subúrbios de Bruxelas, as autoridades ainda não podiam detê-lo — o terrorismo não é uma das exceções à regra que a lei belga impõe.

Como tal, a polícia terá intervindo às 5h e, a essa hora, Salah Abdeslam já não se encontrava em casa. O La Libre avança que esta informação será emitida na noite desta quarta-feira pelo VTM Nieuws, canal de televisão que entrevistou Koen Geens, ministro da Justiça. O mesmo jornal belga escreve o Ministério Público (MP) do país lhe confirmou a ocorrência de uma operação policial às 5h de segunda-feira, embora tenha “relativizado fortemente” o relato. O MP belga respondeu que “não existia a certeza” que o suspeito estava no apartamento, recusando também a hipótese de Abdeslam ter abandonado a casa durante o período noturno em que a polícia estava legalmente proibida de intervir.

Salah Abdeslam é hoje o suspeito ligado aos atentados de Paris mais procurado pelas autoridades, mas, ao que parece, não deveria ter sobrevivido aos atentados. A CNN noticia esta quarta-feira que o cidadão francês tinha um cinto de explosivos a 13 de novembro, pois as autoridades encontraram traços de suor — que corresponderam ao ADN de Abdeslam — num cinto descoberto em Paris, dez dias após os atentados. A polícia acredita que o suspeito teria ordens para se explodir algures na capital francesa, mas que terá ignorado as ordens e fugido.

Esta teoria explicaria o facto de, por volta das 9h de sábado, 14 de novembro, Salah Abdeslam e outros dois suspeitos (que, entretanto, já foram detidos), fossem identificados num controlo rodoviário na região de Cambrai, no norte de França. A polícia registou os nomes e a matrícula do veículo, deixando-os seguir viagem pois, na altura, ainda não constavam na lista dos suspeitos, explica o El Mundo.