O Sporting perdeu o processo com a Doyen Sports, relativo à transferência do argentino Marcos Rojo para o Manchester United. Os leões terão de pagar 12 milhões de euros (mais juros) ao fundo de investimento.

O diferendo que opunha as duas entidades devia-se a um entendimento diferente do valor a que a Doyen tinha direito, na venda do internacional argentino aos ingleses do Manchester United. Aquando da sua chegada a Alvalade, a Doyen adquiriu 75% dos direitos económicos do futebolista, por 4 milhões de euros. Tal significaria que o fundo teria direito a 75% do valor de uma futura transferência do jogador.

Quando o Sporting vendeu Marcos Rojo ao Manchester United, por 20 milhões de euros, a Doyen reclamou então ter direito a 75% do valor da venda – ou seja, a 16 milhões de euros. O Sporting teve um entendimento contrário e devolveu apenas os 4 milhões de euros pagos pelo fundo de investimento em 2012. Isto porque os leões alegaram pressões e ingerência do fundo de investimento na gestão do clube, entre outros factos que, consideravam, faziam com que o acordo inicial tivesse perdido a validade.

Agora, a sentença do Tribunal Arbitral de Desporto (TAS) obriga o clube a acrescentar aos 4 milhões de euros já pagos ao fundo mais 12 milhões de euros (a que acrescem juros). O mesmo confirma o clube de Alvalade, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM):

“(…) A Sociedade foi notificada na presente data da sentença proferida por aquele tribunal o qual decidiu pela validade dos referidos ERPA, tendo condenado a Sporting SAD ao pagamento de€ 12.013.990,00, acrescido dos concomitantes juros. Ademais é conferido à Doyen, em caso de futura venda do atleta Marcos Rojo pelo Manchester United acima de €23.000.000,00, o direito a receber 75% do montante que a Sporting SAD venha a receber, que corresponde a 20% da mais valia acima do identificado valor”, lê-se no comunicado

O clube de Alvalade acrescenta ainda, no comunicado, que “a Sporting SAD não se conforma com a sentença pelo que, tendo em vista a defesa dos seus legítimos interesses, se encontra a avaliar os mecanismos legais e processuais ao seu dispor”. O mesmo já havia sido dito pelo presidente dos leões, Bruno de Carvalho.

Numa publicação partilhada na sua conta de Facebook, o presidente dos leões já havia dado a entender que os leões irão interpor recurso da decisão: “Próxima fase recurso”, lê-se na publicação em causa.

Bruno de Carvalho mostra ainda a sua desilusão perante a decisão do TAS, que, diz, tornou o dia 21 de dezembro de 2015 “um dia muito triste para o futebol”. E faz duras críticas ao mundo do futebol, que considera ser um “subsistema onde tudo vale”, onde “os bandidos reinam”, e que está “cheio de negociatas, corrupção” e “criminalidade”.

“O futebol não pode nem deve ser tomado de assalto e os governos do mundo e a justiça comum já perceberam que tem de se colocar um fim num futebol que se transformou num subsistema opaco, cheio de negociatas, corrupção e onde a criminalidade, nomeadamente pagamento de luvas, apostas ilegais e lavagem de dinheiro, são ações a combater de imediato”, considera o presidente dos leões

Aqui fica a publicação de Bruno de Carvalho na íntegra:

Um mundo com o qual não me identifico e que cada vez mais me envergonha.

Próxima fase recurso. Próximo passo a manutenção acérrima pela luta por um futebol digno e credível.

Quanto ao Sporting Clube de Portugal cá estaremos para resolver os vários obstáculos que têm surgido e os outros que teimam em nos colocar pela frente.

Que não entremos em depressões inúteis e que quem hoje vier “cantar de galo” não se esqueça que quando não se tem razão e se tem tantos telhados de vidro mais cedo ou mais tarde verá as suas acções estilhaçadas pois a verdade acaba sempre por se fazer mostrar.

O futebol não pode nem deve ser tomado de assalto e os governos do mundo e a justiça comum já perceberam que tem de se colocar um fim num futebol que se transformou num subsistema opaco, cheio de negociatas, corrupção e onde a criminalidade, nomeadamente pagamento de luvas, apostas ilegais e lavagem de dinheiro, são acções a combater de imediato.

Todas as histórias tem um fim. Neste caso estamos ainda no princípio.