No fim de semana em que todas as atenções se viraram para o controverso erro no anúncio da miss Universo 2015, uma iraquiana de 20 anos fazia história: Shaymaa Abdelrahman é a primeira mulher iraquiana a vencer um concurso de beleza no país nos últimos 43 anos, conta o Mic.

A última vez que uma coroa fora entregue no Iraque estava-se em 1972 e a vencedora tinha sido Wijdan Burhan al-Deen, que foi depois representar o país no concurso para miss Universo. No domingo o prémio voltou a ser entregue a uma jovem natural de Kirkuk, cidade no nordeste do Iraque.

Senan Kamel, a diretora criativa do evento, explicou ao The Guardian que o prémio pretende “fazer com que a voz do Iraque seja ouvida”e mostrar que “o seu coração ainda bate”. Num país fustigado pela guerra e sob domínio do Estado Islâmico “este evento foi enorme e pôs um sorriso no rosto dos iraquianos”, disse Shaymaa, que em 2016 vai representar o país no concurso de miss Universo. E acrescentou: “A nossa gente precisa desesperadamente de eventos culturais como este”.

Mas este não foi um concurso de beleza tão glamoroso como os outros, avisa o Daily Star. Pelo menos duas mulheres candidatas desistiram do evento depois de terem recebido ameaças de morte, possivelmente por parte dos ramos mais conservadores do islamismo. E algumas das modalidades tiveram de ser retiradas, nomeadamente o desfile em fatos de banho. “Nós organizamos o concurso deliberadamente de acordo com os princípios apropriados para a sociedade iraquiana para provar ao mundo que o Iraque é um país civilizado com espírito cívico e espírito de vida”, explicou Senan Kamel, porta-voz do concurso.

O concurso devia ter terminado a 1 de outubro, data em que a final seria transmitida na televisão nacional. Mas as ameaças de morte dos grupos radicais às famílias das concorrentes obrigaram a organização a alterar a data da transmissão da final para o último domingo, 20 de dezembro. Uma televisão xiita sugeriu entretanto que o evento “cria uma base cultural enquanto o país enfrenta o perigo do terrorismo”, o que podia “corromper a moral do público”.