Rádio Observador

Banif

Ex-presidente do Banif pede auditoria independente a resultado “desastroso”

1.467

Em entrevista à SIC Notícias, Jorge Tomé classifica o resultado da venda e resolução do Banif como "desastroso" para trabalhadores, contribuintes e investidores. Obrigacionistas perdem 256 milhões.

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

O ex-presidente executivo do Banif defende uma auditoria independente ao processo de resolução e venda do banco, em particular à atuação do Banco de Portugal e da DG Comp (direção-geral da concorrência europeia) porque os resultados são “muito negativos”. Uma auditoria independente já tinha sido sugerida por António Horta Osório, presidente do Lloyds, que liderou o Santander Totta em Portugal, banco que comprou a parte boa do Banif.

Jorge Tomé, em entrevista à SIC Notícias, esta quarta-feira à noite, descreve a solução encontrada para o banco como um “resultado desastroso”, para os trabalhadores, investidores e contribuintes, do qual não foi informado. E dá números: os obrigacionistas subordinados não foram acautelados e “vamos ter um problema de 256 milhões de euros. É a primeira vez que acontece na história financeira portuguesa”, nem os obrigacionistas do BES perderam o seu investimento, lembra.

Em entrevista ao programa Negócios da Semana, Jorge Tomé antevê mesmo um movimento de lesados do Banif, inspirado no clientes do BES que investiram em papel comercial, considerando que este é um dos “aspetos mais negativos” da operação aprovada no fim de semana, à revelia da gestão do banco.

O gestor alerta ainda que os contratos de 600 a 700 trabalhadores ficam “fragilizados” com a transferência para o veículo público dos ativos que o Santander não quis. Jorge Tomé descreve a venda ao banco espanhol como uma solução “estranha”, muito diferente da proposta inicial feita. Sem concorrência e com a pressão do tempo do lado do vendedor, o Santander Totta escolheu os melhores ativos ao preço que quis, realça.

Contas “limpinhas”

O gestor assegura ainda que as contas do banco estavam “limpinhas”, garantindo que não havia nenhum buraco. O Banif sempre foi auditado por empresas de reputação e tinha representantes do Estado, um dos quais foi António Varela que tinha funções de auditoria antes de ir para o Banco de Portugal. “Não há nenhum problema nas contas do Banif, o Banco de Portugal fazia vigilância diária do crédito, de operações financeiras, via todas as avaliações de ativos, tinha acesso ao sistema do Banif”.

O ex-presidente executivo assegura ainda que os ativos, agora designados de tóxicos, estavam corretamente valorizados no balanço do Banif e que a perda reconhecida (haircut) era de apenas 20%, o que contrasta com o corte de 66% imposto na resolução. “A operação está estruturada de forma a trazer ganhos para o Estado, os ativos foram transferidos para o veículo a preço de saldos e vão ser vendidos com mais-valias. O fundo de resolução vai se capitalizado por esta via”, diz.

Tomé diz também que havia propostas mais favoráveis para a compra do Banif que precisava apenas de uma recapitalização de 340 milhões de euros. Acrescenta que sem os ativos problemáticos, o banco poderia ter sido vendido por 400 milhões e deixa a questão: “Não se poderia ter esperado quatro ou cinco dias para concluir o processo negocial competitivo?”

Tomé afirma-se “chocado” e reafirma que o valor que saiu é “um desastre para o Estado, contribuintes e para os trabalhadores”. O gestor admite que vai dar mais elementos na comissão de inquérito e fazer perguntas sobre um processo que qualifica de “estranho”.

A venda da participação do Estado foi retirada do Banif pelo Banco de Portugal na sexta-feira passada. Para Jorge Tomé, o BdP defende-se muito com as instâncias europeias e realça que não nos “devemos deixar de esconder nos biombos das autoridades europeias”.

Tomé reconhece ainda que a DG Comp era contra a recapitalização do banco, sobretudo depois deste ter falhado o reembolso do pagamento dos Cocos no final de 2014, que atribui ao impacto negativo de 120 milhões de euros resultante do colapso do BES/GES. Mas assinala a recuperação feita ao nível dos resultados de exploração e da liquidez desde 2012.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt
Trabalho

Ficção coletiva, diz Nadim /premium

Laurinda Alves

Começar reuniões a horas e aprender a dizer mais coisas em menos minutos é uma estratégia que permite inverter a tendência atual para ficarmos mais tempo do que é preciso no local de trabalho.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)