O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa comentou esta quarta-feira a situação do Banif, afirmando esperar “que não haja nos próximos cinco anos muito mais intervenções no sistema financeiro”, mas que, caso existam, e se for ele o Presidente, o Governo deve “informar e explicar muito bem” a solução que encontrar primeiro a si e só depois ao país: “Se for eleito, Banco de Portugal e Governo terão de informar o Presidente da República a explicar muito bem [a solução que propõem], desejavelmente primeiro ao Presidente da República e [só] depois ao país”, defendeu, em entrevista à TVI. E explicar o quê? “Porque é [que a solução escolhida é] a melhor solução” e “que custos tem para os vários intervenientes”.

Quando confrontado com os comentários que fez no passado à capitalização do banco (feita em 2012, com recurso a fundos públicos) e à ação do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, o candidato explicou-se, dizendo que “na altura achava que aquilo que era a posição do Banco de Portugal (BdP) em relação àqueles três bancos [Banif, BCP e BPI] era correta, e até que aquilo que se previa em relação ao Banif era correto”. Ainda assim, recordou, quando Carlos Costa foi reconduzido ao cargo manifestou na TVI o seu desacordo: “Se fosse eu (…) sairia pelo meu pé, e não aceitaria ser reconduzido. (…) Achava, como expliquei na altura, que tudo somado era a atitude que ele devia ter tomado”.

Agora, porém, recusa-se a comentar uma eventual saída do governador do BdP, algo que, por exemplo, o BE tem exigido de forma veemente ao governo PS. “Quem tem iniciativa na matéria é o governo. É um estatuto jurídico, complexo” afirmou, referindo-se ao artigo 14.º do Sistema Europeu de Bancos e do Banco Central Europeu, que diz que “Um governador só pode ser demitido das suas funções se deixar de preencher os requisitos necessários ao exercício das mesmas ou se tiver cometido uma falta grave“. “Tomar posições sobre esta matéria, neste momento, é prematuro e insensato”, concluiu.

Sobre o ciclo político que antecipa para os próximos anos, Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas: quer o governo quer a oposição têm desafios pela frente. O desafio do executivo de António Costa, diz Marcelo, é por um lado manter “a coesão da [sua] base de apoio” – ou seja, assegurar que o apoio de PCP e BE se mantém – e por outro compatibilizar “medidas sociais, tornadas mais prementes pelo sacrifício destes anos de crise” com “rigor financeiro, no sentido de não derrapagem [orçamental] que ponha em causa compromissos externos e a própria possibilidade do crescimento económico no futuro”.

Já PSD e CDS, sugeriu, têm de “fazer uma aprendizagem do que é ser oposição” e reformular as suas propostas para o país, já que “uma coisa é governar num quadro de 4 anos e meio muito marcados pelo memorando da troika”, outra é “apresentar propostas alternativas à realidade alternativa que existe neste momento para o futuro”.

Na entrevista à TVI, recusou ainda que a sua candidatura seja de centro-direita. “Considero-me um candidato independente”, num espaço “muito mais amplo” que esse, afirmou, voltando ainda a sublinhar que espera que o Governo de António Costa seja bem-sucedido.

“O país precisa que corra bem a experiência política existente, que corra bem a experiência governativa existente, independentemente dos estados de alma de cada qual (…) A pior coisa que podia haver era uma crise política: o país dispensa isso. O Presidente deve ser fator de estabilização, não de desestabilização”, explicou, acrescentando ainda que “o Presidente [da República] não pode ser de uma área [política], de outra área, de um governo, de uma oposição”.

Texto editado por Helena Pereira