Em Middlesbrough, uma cidade inglesa de North Yorkshire, foram preparadas 168 vivendas para receber os refugiados que fogem da guerra e da presença de grupos terroristas no Médio Oriente. Mas o The Times descobriu que mais de 92% delas tinha as portas pintadas de vermelho, o que atraiu ataques racistas sob a forma de graffitis e lançamento de pedras, ovos e excrementos para as casas. Em todas elas viviam famílias de 22 nacionalidades diferentes, uma grande parte sírias. O caso já está a ser investigado pelo Ministério do Interior, avança o The Guardian.

A responsabilidade foi imputada à G4S, uma empresa de segurança privada que foi encarregue pelo Ministério da Imigração britânico de albergar os refugiados que chegam a Inglaterra. A companhia, por sua vez, declarou que o facto de as portas serem vermelhas é uma característica “casual e não deliberada”, mas admitiu pintar imediatamente todas as portas de branco.

Ainda assim, o ministro da Imigração, James Brokenshire, disse que vai tomar medidas caso se confirme que este é um caso de discriminação: “Nenhum comportamento assim é tolerável”, considerou o político, que comparou o caso aos eventos da “Alemanha nos anos 30”. Entretanto, a G4S – que trabalha a par com Stuart Monk, o proprietário dos terrenos onde as casas em causa foram erguidas – já perdeu o contrato que tinha estabelecido com o Ministério do Interior, escreve a CNN.

Quando questionado pela Sky News sobre este caso, Stuar Monk sublinhou que “quem descer normalmente a rua não dará conta da diferença entre estas prioridades e qualquer uma outra na rua”, até porque nem todas as portas vermelhas abrem casas de refugiados: em algumas delas vivem famílias inglesas, garante o empresário, que diz que apenas 20% das portas vermelhas pertencem a refugiados. E também acrescenta que ainda não recebeu queixas sobre nenhuma das ocorrências descritas pelo The Times.

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O The Times chegou à conversa com um dos refugiados que mora numa das casas com portas vermelhas. Kiflemariam Tekle Muhur tem 26 anos e fugiu da Eritreia para Middlesbrough, onde vive desde setembro de 2015. Aos jornalistas, Kiflemariam disse ter sido sempre tratado bem, mas o jornal escreve que encontrou o que parece ser uma casca de ovo no exterior da casa.

Por outro lado, outros dois imigrantes, Yusuf Abdullahi e Ahmad Zubair (ambos afegãos), admitem ter sido tão maltratados que os próprios pintaram a porta de casa de outra cor: “As pessoas gritavam do outro lado da porta, chamavam-nos nomes de ódio, atiravam coisas para as nossas janelas e batiam nas portas”, descreve Zubair ao The Washington Post.