Os iranianos já responderam à polémica sobre o facto de as autoridades italianas terem coberto as estátuas clássicas de nus no Museu Capitolino para receber o presidente do Irão, Hassan Rouhani.

E as reações foram, acima de tudo, irónicas: os internautas iranianos usaram a frase “o Islamismo está em perigo” nos comentários e chegaram a agradecer aos italianos por estarem a ajudar a salvar a religião. “Para evitar que o Islamismo fique em perigo, as estátuas dos museus foram postas em caixas”, pode ler-se numa das publicações no Facebook, conta a BBC.

Houve também comentários aos contratos que várias empresas iranianas e italianas assinaram em parceria, no valor de 17 mil milhões de euros. “Devido ao grande volume de trocas com o Irão, não teria sido surpresa se os italianos partissem as estátuas todas de uma vez”, opinou um utilizador do Twitter. Uma das imagens mais famosas mostra as estátuas dos Museus Capitolinos tapadas com a página que aparece aos internautas iranianos que tentam entrar em sites censurados.

Mas nem todas acharam piada às exigências de Hassan Rouhani, que não só pediu para as estátuas serem tapadas, como exigiu que não houvesse vinho à mesa de jantar. Alguns iranianos escreveram que “não é engraçado, é doloroso” que as autoridades iranianas permitam estes eventos. “Não sei se cobrir as estátuas é um insulto à nossa nação ou à italiana”, acrescenta um utilizador do Twitter. Outro, pelo contrário, preferem sublinhar que a decisão de cobrir a estátuas e proibir o vinho foi uma iniciativa italiana, o que na opinião desses internautas alimenta a obsessão dos extremistas.

Prestes a visitar França, o presidente do Irão fez a mesma exigência a François Hollande – que não houvesse vinho à mesa de almoço. Apesar de esta ser uma visita histórica (há 17 anos que um líder iraniano não entrava em França), o presidente francês recusou-se a ceder ao pedido de Hassan Rouhani. E, portanto, os dois vão almoçar separados no dia da visita em Paris, conta o Telegraph.