O líder do Podemos (esquerda radical), Pablo Iglesias, assegurou que votará contra uma eventual aliança de governo em Espanha entre o PSOE e o Ciudadanos, uma solução que parece ser a preferida de vários altos dirigentes socialistas.

As declarações de Iglesias surgem umas horas antes de ser ouvido – pela segunda vez – pelo Rei de Espanha, Felipe VI, sobre as possibilidades de acordo com vista à formação de um governo na sequência das eleições de 20 de dezembro.

Na primeira vez que foi recebido pelo monarca, a 22 de janeiro, Iglesias propôs um governo de coligação entre o Podemos, o PSOE e a Izquierda Unida (comunistas), consigo a vice-presidente do executivo e pelo menos cinco pastas ministeriais.

Vários dirigentes socialistas ficaram indignados com a proposta e a forma em que foi feita – de surpresa e em público – defendendo, em alternativa, que o PSOE deveria incluir o Ciudadanos (centro-direita, de Albert Rivera) na solução de governo. O PSOE prefere governar sozinho e contar com acordos parlamentares com outros partidos, tal como o PS português fez com o Bloco de Esquerda e o PCP.

Hoje, antes de uma reunião com o seu grupo parlamentar, Iglesias fechou a porta à inclusão do Ciudadanos na solução final.

“Se apostar pelo imobilismo”, o Podemos não apoiará o PSOE “nem de forma ativa nem passiva”, ou seja nem com um vota a favor nem com a abstenção, disse o secretário-geral da formação de esquerda.

“Estamos dispostos a dialogar com toda a gente. (…) Foi o Ciudadanos que nos assegurou de forma explícita que não apoiaria um Governo com o Podemos. O que diz o Ciudadanos, e di-lo legitimamente, é que PSOE e PP deveriam pôr-se de acordo”, analisou Pablo Iglesias.

Caso o PSOE e Pedro Sánchez optem pela “via do imobilismo”, concluiu Iglesias, o Podemos não lhe dará apoio.