As crianças e mulheres constituem quase dois terços dos migrantes e refugiados que arriscam a perigosa travessia marítima da Turquia para a Grécia, na sequência dum importante aumento no fluxo dos menores de idade, anunciou a Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com a agência das Nações Unidas para a Infância (Unicef), quase 60 por cento dos refugiados que chegam à Macedónia a partir da Grécia, depois de cruzarem o Mar Egeu, no Mediterrâneo oriental, são crianças e mulheres, um fenómeno que até agora não tinha ocorrido, afirmou esta terça-feira a porta-voz da Unicef, Sarah Crowe.

A agência das Nações Unidas calcula em concreto que 36% dos que fazem a travessia entre a Turquia e a Grécia são menores de idade. “Mas este número poderá ser muito mais elevado, porque muitos dos adolescentes não revelam a sua idade até chegarem ao seu destino”, especificou Crowe.

A Unicef sublinha que, em junho de 2015, as crianças eram um em cada dez refugiados e imigrantes que chegavam às costas europeias, e agora são um terço. A grande maioria dos menores e mulheres que chegam à Europa são provenientes da Síria, Iraque e Afeganistão, as três nacionalidades que conhecem menos entraves à sua entrada por parte da União Europeia (UE). Numa referência às crianças não acompanhadas, a Unicef diz desconhecer o seu número total na Europa, mas indica que 35.400 destes menores foram registados na Suécia e outros 60 mil na Alemanha.

Por sua vez, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou esta terça-feira que desde o início de 2016 foi registada a morte de 60 crianças que tentavam atravessar o Mediterrâneo. Em 2015, morreram afogados 270 jovens quanto tentavam esta travessia por mar. No total, e desde o início deste ano, a OIM já contabilizou 368 mortos no Mediterrâneo.