Portugal propôs à Alemanha o lançamento de um mecanismo de resposta rápida para estudantes em situação de emergência, no âmbito da crise migratória, disse na quarta-feira o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor.

“É um processo muito sério, complexo, que planeámos em estreita colaboração com o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e com o Conselho de Reitores”, disse o ministro quando questionado pelos jornalistas à margem da cerimónia de tomada de posse da direção da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Segundo Manuel Heitor, houve “um interesse muito grande” das universidades e dos institutos superiores politécnicos em acolher refugiados, “em particular aqueles que estão na Alemanha”.

O ministro sublinhou que o processo tem de ser desenvolvido “num quadro de ética e com responsabilidade da construção europeia”.

O governo português está, neste momento, “a trabalhar com as autoridades alemãs”, indicou.

“Trata-se de pessoas, temos de respeitar a sua dignidade humana e, por isso, mais do que apenas de ter uma ideia, agora temos de a concretizar, com as pessoas, com as instituições e as autoridades alemãs”, frisou.

O processo está lançado e a intenção é receber estudantes que se encontrem em situação de emergência ainda antes do início do próximo ano letivo, embora não haja qualquer previsão para a chegada de refugiados que pretendam ocupar vagas em instituições de ensino portuguesas.

“É um processo bastante complexo de identificação, seleção e alojamento”, justificou.

Para o ministro, Portugal tem a vantagem de não partir do zero. “Temos a honra de, através das iniciativas lançadas há dois anos, pelo Presidente Jorge Sampaio, já termos hoje em Portugal cerca de 150 sírios”.

“Com base nessa experiência, o que propusemos à Alemanha foi lançar um mecanismo de resposta rápida para estudantes em situações de emergência”, explicou Manuel Heitor.

“É esse mecanismo que estamos agora a concretizar com as autoridades alemãs e, como sabem, é um processo bastante complexo ao nível do detalhe com que vai adotar-se, mas creio que vamos, num futuro próximo, poder dar um contributo para a construção europeia”, vaticinou.

As instituições de ensino superior portuguesas prontificaram-se a acolher os estudantes e a promover, junto com o governo, este mecanismo de resposta rápida para a inserção de estudantes estrangeiros em Portugal.

De acordo com o ministro, todos os detalhes têm de ser “trabalhados caso a caso”.