Uma espécie de encontro dos candidatos com uma determinada comunidade, neste caso na Carolina do Sul, o chamado “town hall”, contou esta quarta-feira com a presença de Marco Rubio e Ted Cruz. Subindo ao palco um de cada vez para serem questionados por um jornalista da CNN, que transmitiu a conversa, ambos os candidatos apresentaram-se com diferentes discursos. Um mais pessoal e o outro de ataque político. Esta quinta-feira à noite é a vez de Donald Trump, Jeb Bush e John Kasich falarem na parte II do “town hall” republicano.

Na antecâmara das eleições na Carolina do Sul, no próximo sábado, o primeiro a subir ao palco foi Marco Rubio que revelou o seu lado mais pessoal. Depois de ter terminado num dececionante quinto lugar nas primárias do New Hampshire, Rubio tenta recuperar votos no sábado com as sondagens a reservar-lhe a terceira posição atrás de Ted Cruz e Trump. Talvez por isso, o aspirante à nomeação republicana, filho de imigrantes cubanos, recordou os seus tempos de infância em Las Vegas, onde diz ter sido vítima de algumas situações de racismo. Contou, por exemplo, que alguns vizinhos costumavam perguntar-lhe: “Porque é que não apanhas o barco e voltas para o teu país?”

Apesar de tudo, Rubio, lembrou que os pais sempre tentaram desculpar os autores destas questões. Como relata a imprensa americana, o republicano respondeu, durante toda a campanha, a perguntas sobre temas raciais mas nunca tinha utilizado a experiência pessoal. E foi a partir deste lado mais pessoal que Rubio abordou também a questão da intervenção policial quando se trata de cidadãos afro-americanos, admitindo que estes “sentem que são tratados de maneira diferente do resto da sociedade”.

Sobre as recentes notícias que dão conta que o atual presidente americano, Barak Obama, está a preparar uma viagem inédita a Cuba, o senador pela Flórida, crítico do restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, garantiu que não viajaria a Havana enquanto não houvesse uma “Cuba livre”, até porque o “problema do Governo cubano” é que “não é só uma ditadura comunista, é uma ditadura comunista anti-americana”.

Depois foi a vez de Ted Cruz. E o senador do Texas não saiu do campo político. Também criticou a possível viagem de Obama a Cuba, afirmando que não o faria enquanto os “Castros permanecerem no poder”. No entanto, a seguir, o alvo foi único: Donald Trump.

Primeiro, atacou o empresário por alegar que o país não estava seguro sob o mandato de George W. Bush e no rescaldo dos atentados do 11 de setembro. Depois, e respondendo a uma pergunta da plateia, Cruz foi confrontado com as declarações de Trump que o acusavam de não poder ser eleito presidente dos EUA devido às questões de nacionalidade previstas na Constituição (Ted Cruz nasceu no Canadá). Ora Cruz respondeu garantindo que “nunca respirei um bocado de ar quando não era um cidadão americano”, ou seja, “foi o ato de nascer que me tornou num cidadão dos EUA”.

Quem também esteve presente nesta noite foi o neurocirurgião e outsider na nomeação republicana, Ben Carson, que aludiu ao facto de a Apple não ter aceitado inspecionar o telemóvel dos atiradores de San Bernardino para afirmar que, provavelmente, nem a empresa confia nos governantes americanos.