A Grécia admitiu bloquear as conclusões do Conselho Europeu, incluindo sobre uma eventual saída do Reino Unido da UE, caso os seus parceiros não mantenham as fronteiras abertas até 6 de março, data prevista da cimeira UE-Turquia.

“Pedimos uma decisão unânime para que nenhum Estado encerre unilateralmente as suas fronteiras até 6 de março (…), caso contrário o Governo grego não aceitará o texto das conclusões da cimeira”, referiu uma fonte governamental grega citada pela agência noticiosa France-Presse.

A cimeira UE-Turquia é considerada um marco decisivo na tentativa de resolução da atual crise, pelo facto de a larga maioria dos refugiados que alcançam a Europa através do mar Egeu partirem da Turquia, onde estão instalados cerca de 2,3 milhões de refugiados.

A chegada de mais de um milhão de refugiados e migrantes à Europa em 2015 provocou uma reação de diversos países da Europa central, que impuseram restrições nas suas fronteiras, enviaram contingentes militares e policiais e reforçaram as vedações, em particular com arame farpado.

A Grécia, a principal porta de entrada dos migrantes, receia por sua vez que milhares de refugiados permaneçam bloqueados no seu território após as restrições unilaterais adotadas por diversos Estados-membros da União.

Desde as 07:00 locais de hoje (hora de Lisboa) que a Áustria não admite mais que 80 requerentes de asilo por dia, e ainda 3.200 migrantes em trânsito. Todos devem comparecer no posto de Spielfeld, na fronteira eslovena, onde foi instalado um importante dispositivo.

“Se a Áustria encerrar as suas fronteiras, haverá um efeito dominó que nos atingirá”, explicou a fonte governamental grega.

” [A chanceler alemã Angela] Merkel comprometeu-se a não alterar a sua posição [até 6 de março]. Pedimos aos restantes países que façam o mesmo”, acrescentou o responsável governamental, que pediu o anonimato.

Em 2015 alcançaram as costas gregas a partir da Turquia cerca de 851.000 migrantes e refugiados, com 103.000 a serem salvos pela guarda costeira. A maioria era proveniente da Síria (57%), seguindo-se o Afeganistão (24%) e o Iraque (9%).

Segundo os dados oficiais, dos 160.000 realojamentos prometidos pelos países da UE, apenas foram colocados 82 refugiados a partir da Grécia e outros 190 de Itália.

Atenas argumenta ainda ter despendido mais de 350 milhões de euros apenas em operações de resgate, transporte, acolhimento e realojamento dos refugiados. Dos 446 milhões de euros de financiamento prometidos por Bruxelas — com um quarto desse valor a ser pago pelos contribuintes gregos — apenas foram disponibilizados 33 milhões de euros para dar resposta à crise migratória.