O Presidente sírio Bashar al-Assad diz que quer ser lembrado daqui a dez anos como “o homem que salvou a Síria”, em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada no sábado. Assad, cujo destino tem sido uma das questões fulcrais nos esforços para acabar com a sangrenta guerra civil iniciada em 2011, deixou em aberto se iria continuar a ser o presidente em 2026.

“Daqui a dez anos, eu quero ter sido capaz de salvar a Síria, mas isso não significa que vou continuar a ser presidente”, disse Bashar al-Assad numa entrevista publicada na página de internet do jornal espanhol. No poder desde 2000, o Presidente sírio acrescentou: “A Síria estará bem e eu serei a pessoa que salvou o seu país. Esse é meu trabalho agora e esse é o meu dever”.

“Se o povo sírio me quiser no poder, eu estarei. Se eles não me quiserem, não posso fazer nada, quer dizer, não posso ajudar o meu país, por isso tenho que sair imediatamente”, adiantou.

A comunidade internacional tem vindo a pressionar para o fim das hostilidades na Síria, de forma a abrir caminho para renovadas negociações de paz, mas os combates no país prosseguem. Ao falar ao El País, al-Assad afirmou que está “pronto para um cessar-fogo”, mas advertiu que isso não pode ser explorado pelos “terroristas” — termo usado pelo regime para se referir aos rebeldes — para ganharem terreno.

“Trata-se de evitar que outros países, especialmente a Turquia, enviem mais recrutas, mais terroristas, mais armamento, ou qualquer outro tipo de apoio logístico a esses terroristas”, adiantou. Segundo Assad, “há 80 países que apoiam os grupos terroristas na Síria”.

A 12 de fevereiro, os principais atores do conflito sírio chegaram a acordo, em Munique, para uma “cessação as hostilidades” na Síria, no prazo de uma semana (19 de fevereiro), e um acesso intensificado dos civis à ajuda humanitária. Na sexta-feira, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou que ainda há “muito trabalho a fazer” para um cessar-fogo na Síria.